Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Mesmo sob a mira de investigações do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), o programa “Asfalta Manaus” continua movimentando altas cifras na Prefeitura de Manaus, comandada por Renato Junior (Avante).
Levantamento realizado pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS nos Diários Oficiais do Município, revela que a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) iniciou o mês de junho de 2026 injetando R$ 80,5 milhões em pavimentação viária.
Essas são as primeiras movimentações do novo prefeito no programa em pouco mais de dois meses de gestão.
Esse montante foi destinado exclusivamente ao 8.º Termo Aditivo de contratos firmados originalmente em 2022.
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Quatro anos após o lançamento do programa, que prometia recuperar 10 mil ruas na capital, a gestão municipal renovou os aportes para as mesmas prestadoras de serviços em lotes que abrange bairros como Alvorada 2 (R$ 17,5 milhões), São José (R$ 14,3 milhões), Jorge Teixeira (R$ 16,6 milhões), Novo Israel (R$ 16,5 milhões) e Santa Etelvina (R$ 15,2 milhões).
O histórico de cobrança e falta de transparência
A sobrevivência financeira do “Asfalta Manaus” por meio de aditivos consecutivos reacende o debate sobre a eficiência e a transparência do projeto.
O programa, iniciado em abril de 2022, foi inicialmente previsto em R$ 310 milhões (sendo R$ 150 milhões de repasse inicial do Governo do Estado e o restante de contrapartida da Prefeitura), com o objetivo de asfaltar 10 mil ruas.
Com o avanço das etapas, renovação de convênios e assinatura de sucessivos termos aditivos contratuais para dar vazão à demanda de pavimentação, o montante total orçado e contratado ultrapassou a marca de R$ 1,5 bilhão que é alvo de inquérito civil no Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) por esconder dados básicos da população.
Em maio do ano passado, o órgão prorrogou as investigações após a prefeitura ignorar quatro requisições formais para atualizar o Portal da Transparência.
Em setembro de 2025, o TCE-AM também abriu apuração técnica motivado por denúncias de “descompasso” entre o marketing e a realidade das ruas. Na ocasião, enquanto a propaganda oficial prometia as 10 mil vias, vereadores apontavam que o total entregue não chegava a 3 mil, o equivalente a apenas 30% da meta.
Os novos extratos de junho de 2026 repetem o velho gargalo: os documentos detalham os milhões e as empreiteiras, mas não listam nominalmente nenhuma rua beneficiada nos bairros, limitando-se a citar o número dos lotes e regiões.
O que diz a prefeitura?
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) para questionar o andamento do programa, o percentual de cumprimento da meta de 10 mil ruas e a justificativa técnica para os novos aditivos milionários em bairros já atendidos desde 2022.
Até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta foi enviada pelo órgão municipal. O espaço segue aberto para esclarecimentos e manifestações oficiais da pasta.






