Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Há pouco mais de um mês no comando do Governo do Amazonas após a saída de Wilson Lima (União), Roberto Cidade (União) já enfrenta uma crise em diferentes áreas da administração estadual.
Problemas na Saúde, impasses na Educação, cobranças de profissionais da Segurança Pública e mobilizações de estudantes e aprovados em concursos públicos ampliam a pressão sobre a nova gestão.
As manifestações ocorrem em meio a reivindicações por reajustes salariais, regularização de pagamentos, recomposição orçamentária, valorização profissional e abertura de canais efetivos de negociação com o Governo do Estado.
Representantes das categorias afirmam que o principal entrave não está apenas na ausência de soluções imediatas, mas na falta de diálogo e de encaminhamentos concretos por parte da gestão estadual.
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Nesta semana, Roberto Cidade afirmou que o cenário de dificuldades financeiras é resultado da “queda na arrecadação do Estado, da oscilação do dólar e do impacto de cerca de R$ 600 milhões a menos nas receitas previstas”. Segundo ele, esses fatores têm exigido medidas de contenção de despesas e revisão de compromissos orçamentários.
Saúde: atrasos salariais e protestos
Na área da saúde, as principais reclamações envolvem atrasos salariais que atingem trabalhadores terceirizados e médicos da rede pública estadual.
O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Privada (Sindpriv-AM) realizou uma manifestação na manhã desta sexta-feira, 12/6, em frente ao Hospital João Lúcio Pereira Machado, para denunciar a falta de pagamento de profissionais lotados em diferentes unidades.
Segundo a entidade, há trabalhadores que acumulam meses de salários atrasados, situação que afeta diretamente a subsistência das famílias e a rotina dos profissionais.
A presidente do sindicato, enfermeira Graciete Mouzinho, classificou o cenário como grave. “A situação é inaceitável”, afirmou.
A crise também atinge médicos do Complexo Hospitalar da Zona Norte (CHZN), que inclui o Hospital Delphina Aziz e a UPA Campos Salles.
Os profissionais relatam atraso de quase três meses nos pagamentos e afirmam que o governo não cumpriu o prazo anteriormente anunciado para regularização.
Em 7 de maio, o governador Roberto Cidade declarou que os salários seriam quitados até o dia 13 do mesmo mês. No entanto, semanas depois, os pagamentos ainda não haviam sido efetuados.
Segurança pública: cobranças de militares
A insatisfação também chegou às forças de segurança. Policiais militares e bombeiros relatam falta de avanços nas negociações com o Governo do Estado e voltaram a se mobilizar em assembleia geral.
Segundo as entidades representativas, em reunião realizada no dia 22 de abril, o governador Roberto Cidade teria se comprometido a dar continuidade às tratativas sobre pautas consideradas prioritárias. No entanto, os encontros não avançaram.
A frustração resultou em novo ato realizado na manhã desta sexta-feira, na Arena Amadeu Teixeira, em Manaus. As categorias afirmam que a ausência de respostas tem gerado sentimento de desvalorização entre ativos e aposentados.
Educação: UEA vira novo foco de mobilização
Outro foco de tensão envolve a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A decisão do governador Roberto Cidade de bloquear R$ 100 milhões do orçamento da instituição provocou reação de estudantes, professores e representantes da comunidade acadêmica.
Em resposta à medida, a União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM) convocou um ato público para a próxima quinta-feira, 18, a partir das 9h, em frente à sede do Governo do Amazonas, no bairro Compensa, zona Oeste de Manaus.
O movimento conta com a participação de estudantes, professores, técnicos e representantes da sociedade civil e tem como objetivo pressionar o governo a rever o contingenciamento dos recursos destinados à universidade.
Em publicação nas redes sociais, a UEE-AM afirmou que os cortes na educação pública refletem uma visão que trata o setor como despesa, e não como investimento estratégico para o desenvolvimento do estado. A entidade também alerta para possíveis impactos na assistência estudantil, na pesquisa científica, na infraestrutura e na contratação de professores.
Cobrança por negociação salarial
No dia 30 de abril, professores e pedagogos da rede estadual, organizados pela Asprom Sindical, realizaram um ato em frente à sede do Governo do Amazonas para cobrar a abertura das negociações da data-base salarial de 2026.
Segundo o sindicato, o reajuste anual é um direito previsto em lei e deveria ter sido discutido previamente pelo Executivo. No entanto, a categoria afirma que não houve convocação para mesa de negociação nem apresentação de proposta oficial.
Durante o ato, o presidente da Asprom, Lambert Mello, criticou a condução das negociações e afirmou que os profissionais esperavam uma postura diferente da atual gestão.
“Viemos aqui buscar diálogo com esse senhor que imaginávamos ser diferente de Wilson Lima, mas hoje ele provou que não é diferente, que é igual”, destacou.
A publicação do Decreto nº 54.220, de 25 de maio de 2026, que estabelece medidas de contenção de despesas no Executivo estadual, também gerou preocupação entre os trabalhadores da educação.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) passou a acompanhar os efeitos da medida e alertou para o risco de que o decreto seja usado como justificativa para o não pagamento da data-base.
A presidente da entidade, Ana Cristina, destacou que os recursos da educação têm fonte própria de financiamento.
“Os recursos da educação têm fonte própria, que é o Fundeb, e não podem ser confundidos com dificuldades fiscais gerais do Estado”, afirmou.
Aprovados do Detran-AM cobram convocação
Também há mobilização entre os aprovados no concurso do Detran-AM de 2022. O grupo realizou manifestação para cobrar transparência sobre o andamento do certame e a convocação de novos servidores.
Os candidatos afirmam que a falta de posicionamento do governo aumenta a insegurança entre os classificados e prometem manter as mobilizações até que haja resposta oficial.
Em nota, o Detran-AM informou que realizou reunião com representantes do movimento. O órgão destacou que o concurso já teve 12 convocações desde 2022, com 340 aprovados chamados, e que 174 das 183 vagas previstas em lei já estão ocupadas.
O departamento acrescentou que a última convocação ocorreu em 1º de junho de 2026, com a chamada de 16 novos servidores, e que novas convocações podem ocorrer em casos de vacância ou desistência.






