Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma nova pesquisa da RealTime BigData, realizada entre 30 de março e 1 de abril de 2026, traçou a “Régua Moral” dos eleitores brasileiros, revelando que temas como aborto, traição, corrupção, fumar maconha e apostas lideram a lista de condutas consideradas imorais no país.
O levantamento, que ouviu 3.000 pessoas e possui margem de erro de 3 pontos percentuais, aponta que o brasileiro mantém uma postura conservadora em diversos aspectos do comportamento social e ético.
Os 5 pilares da imoralidade para o brasileiro
O estudo destaca cinco temas principais onde a percepção de imoralidade é mais acentuada:
- Abortar: 63% dos entrevistados consideram a prática imoral.
- Ter um Caso Extraconjugal: Citado por 57% como imoral.
- Envolver-se em Corrupção: Considerado imoral por 56% da população.
- Fumar Maconha: Prática reprovada moralmente por 55%.
- Apostas: Fecham o “top 5” com 44% de rejeição moral.
Outros temas também foram avaliados, mas com menor índice de condenação moral, como bater nos filhos (43%), assistir pornografia (38%), homossexualidade (29%) e pena de morte (19%).
Curiosamente, temas que já foram grandes tabus, como o divórcio e o consumo de carne vermelha, hoje quase não são associados a questões morais, registrando apenas 9% e 6% de rejeição.

Análise de temas polêmicos
A pesquisa aprofunda o perfil de quem condena certas práticas, revelando divisões claras por gênero e inclinação política.
Aborto e corrupção
No caso do aborto, a condenação é ligeiramente maior entre os homens (65%) do que entre as mulheres (61%).
Quando o recorte é político, a diferença se acentua: entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022, a rejeição ao aborto é expressiva de 69%, enquanto entre os eleitores de Lula o índice de percepção de imoralidade é menor (62%).
Quanto à corrupção, embora seja um tema de rejeição ampla, os dados mostram que mulher tendem a ser mais rigorosos na classificação moral dessa conduta com 59% considerando a conduta errada. Para os homens 53% consideram imoral.
Politicamente, eleitores de ambos os espectros condenam a prática, mas a intensidade da percepção de “imoralidade” varia conforme a identificação com as pautas de integridade de cada grupo. Para eleitores do Bolsonaro a rejeição a corrupção chega a 62% enquanto os que votaram no Lula é de apenas 51%.
Fumar maconha
O consumo de maconha é considerado imoral por mais da metade dos brasileiros (55%). O recorte de gênero mostra uma resistência maior por parte do público feminino (60%).
No campo político, o conservadorismo moral é evidente entre os eleitores de direita (64%), que registram índices de reprovação significativamente superiores aos eleitores de esquerda (51%).
Infidelidade: mulheres e idosos são mais rigorosos
O tema do caso extraconjugal traz recortes geracionais e de gênero interessantes. Em termos gerais, 57% dos brasileiros veem a traição como imoral.
- Destaque por Gênero: As mulheres são mais rigorosas na condenação da infidelidade. Enquanto a maioria do público feminino classifica o ato como imoral, o percentual é menor entre os homens.
- Recorte por Idade: A percepção de imoralidade cresce conforme a idade. Jovens entre 16 e 34 anos possuem a visão mais flexível, com cerca de 40% considerando o ato imoral. Já na faixa de 35 a 59 anos, esse número salta para 66%, mantendo-se elevado entre os que possuem acima de 60 anos.
A pesquisa “Régua Moral” demonstra que, apesar das transformações sociais, o núcleo do que o brasileiro considera “certo ou errado” permanece fortemente atrelado a valores tradicionais e éticos rígidos.






