Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O aumento salarial polêmico recentemente aprovado pela Câmara Municipal de Manaus (CMM) para o prefeito de Manaus foi defendido por David Almeida (Avante), o qual argumentou que, em virtude de suas responsabilidades, o valor de R$ 35 mil “é justo” e “poderia até ser maior”.
Segundo David Almeida, o papel do prefeito é comparável ao de um CEO de uma grande corporação, responsável por uma cidade com 2,2 milhões de habitantes e um orçamento de aproximadamente R$ 10,5 bilhões para o próximo ano. Ele destacou que, em comparação com outros gestores de alto escalão, como diretores de empresas privadas, o salário proposto é justo.
“Tem diretor de empresas com 500 funcionários no Distrito Industrial, que ganha 100 mil reais. Diretor de entidade de classe, que ganha 80 mil reais. E os grandes diretores ganham acima de 250 mil reais”, afirmou o prefeito.
Em entrevista à rádio CBN nesta sexta-feira, 27/12, o prefeito reafirmou que o salário de R$ 35 mil é adequado, dado o peso das funções que exerce à frente da administração de Manaus.
“É justo, é legal. E eu acredito que poderia até ser maior, em virtude da responsabilidade que nós temos sobre a vida das pessoas”, disse David Almeida.
Almeida também defendeu que a responsabilidade de um gestor público é imensa e que a falta de competitividade nos salários do setor público torna difícil atrair profissionais qualificados.
“Nós temos dificuldades de contratar mão de obra qualificada”, disse, exemplificando o desafio de oferecer salários condizentes para cargos como o de secretário de Saúde, que administra uma pasta com orçamento de R$ 1,8 bilhão e mais de 12 mil servidores.
Em sua fala, David Almeida reforçou que o salário de R$ 35 mil é “legal” e que é um reflexo da responsabilidade envolvida na gestão de uma cidade do porte de Manaus. “Eu sou o responsável pela vida de 2 milhões e 200 mil pessoas, 550 escolas, 262 UBS, mil e poucos ônibus”, disse, ressaltando a magnitude de sua responsabilidade.
Discussão na Câmara
A questão do aumento salarial também foi abordada no contexto da proposta apresentada à Câmara Municipal, que recebeu 34 votos favoráveis e cinco contrários. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Gilmar Nascimento (Avante), justificou que o subsídio do prefeito estava entre os mais baixos das capitais brasileiras.
O projeto também prevê aumentos para o vice-prefeito, secretários e subsecretários municipais, com ajustes consideráveis nos salários de outros cargos do Executivo municipal, como o aumento de R$ 26 mil para R$ 32 mil para o vice-prefeito e de R$ 17 mil para R$ 27 mil para os secretários. O reajuste foi baseado em um estudo de impacto financeiro enviado pela própria Prefeitura à Câmara, como revelou o vereador Rodrigo Guedes (PP).
Portanto, o aumento salarial, embora controverso, é justificado pelo prefeito como uma compensação pela complexidade e pelos desafios enfrentados na administração pública, que ele acredita serem incompatíveis com os salários anteriores.






