Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os 41 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) ultrapassaram o limite oficial de R$ 98 mil mensais de verba de gabinete em setembro deste ano.
O levantamento, divulgado pela Blink TV, mostra que os gastos variaram de R$ 129 mil a R$ 168 mil, com cada parlamentar mantendo entre 28 e 50 assessores.
Segundo a apuração, a diferença ocorre porque encargos trabalhistas e adicionais salariais são pagos por fontes complementares do orçamento da Casa Legislativa, o que eleva os valores finais.
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No topo da lista está o vereador de primeiro mandato Sérgio Baré (PRD), que registrou R$ 168.143,00 em despesas, com cerca de 50 servidores lotados em seu gabinete.
Na sequência, aparecem os vereadores Professora Jacqueline (União Brasil), com R$ 167.853,38; Ivo Neto (PMB), com R$ 167.661,48; Rosinaldo Bual (Agir), com R$ 167.582,79 — afastado e preso por suspeita de rachadinha; e Everton Assis (União Brasil), com R$ 167.124,90. Esses cinco parlamentares registraram os gabinetes mais caros da CMM no período.

Já os menores gastos foram registrados por Dione Carvalho (Agir), com R$ 129.021,26; Zé Ricardo (PT), com R$ 132.522,33; Rodrigo Sá (PP), com R$ 134.007,73; Kennedy Protetor (MDB), com R$ 136.814,24; e Raiff Matos (PL), com R$ 141.250,69.
Mesmo os menores valores registrados excedem o limite oficial da cota mensal, fixado em R$ 98 mil por vereador.

Caso Bual
Entre os vereadores com os maiores gastos, Rosinaldo Bual está no centro de um escândalo que resultou em sua prisão na última sexta-feira, 3/10. Conforme noticiado pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o parlamentar é investigado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) por suspeita de envolvimento em um esquema de “rachadinha” e desvio de recursos públicos.

Durante a operação “Face Oculta”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foram apreendidos cofres, cheques e documentos que, segundo os agentes, comprovam a movimentação de valores ilícitos envolvendo servidores da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Não está descartada a possibilidade de que parte dos recursos tenha sido utilizada na compra de votos para as eleições de 2024.
A combinação entre os gastos acima do limite legal e a prisão de um dos vereadores que lideram o ranking de despesas reacendeu o debate sobre a transparência e o controle do uso de recursos públicos no Legislativo municipal.
A reportagem entrou em contato com a Diretoria de Comunicação da CMM para obter um posicionamento sobre o caso, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.






