Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com a posse de Roberto Cidade (União Brasil) como governador, a presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) tornou-se o centro das articulações políticas. Como Cidade renunciou ao mandato parlamentar para assumir o Executivo, os deputados devem agora realizar uma nova eleição para escolher o “presidente-tampão” que conduzirá a Casa até o fim do ano.
Até o momento, dois nomes oficializaram interesse na vaga: Adjuto Afonso (União Brasil), que já exerce a função de forma interina, e Felipe Souza (Podemos).
Adjuto declarou-se um “candidato natural”, mas ressaltou que a escolha depende do consenso entre os colegas. Já Felipe Souza, ex-líder do governo Wilson Lima (União Brasil), conta com forte trânsito e capacidade de articulação interna para conseguir apoios.
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O que está em jogo?
Ocupar a presidência da Aleam em ano eleitoral confere um poder estratégico que vai muito além da condução das sessões. O presidente detém o controle absoluto da pauta institucional, o que permite agilizar a votação de projetos populares, como reajustes salariais e benefícios sociais, ou blindar aliados ao engavetar pedidos de CPI e pautas desgastantes.
Além disso, o comando da máquina legislativa oferece a gestão do orçamento da Casa, facilitando a distribuição de cargos comissionados para selar alianças e o uso estratégico dos veículos de comunicação oficiais para amplificar a imagem do gestor.
A influência do cargo estende-se também ao interior do estado, uma vez que o presidente é o principal interlocutor junto aos prefeitos, mediando a liberação de emendas parlamentares que financiam obras municipais e consolidam bases eleitorais.
Tamanha visibilidade reflete diretamente nas pesquisas de intenção de voto, onde presidentes da Aleam costumam figurar com grandes percentuais.






