Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A ferramenta de Inteligência Artificial do Google está transformando a forma como os vídeos são criados. Chamada de Veo 3, a tecnologia permite gerar cenas ultrarrealistas com personagens, trilhas sonoras e cenários a partir de comandos de texto.
O modelo de IA, atualmente disponível apenas na versão paga por cerca de R$ 96,99 por mês, tem chamado atenção nas redes sociais com vídeos que viralizam, como paródias de acontecimentos históricos, passagens religiosas e entrevistas em telejornais ou podcasts. A sofisticação desses conteúdos muitas vezes dificulta a identificação de que não se trata de algo real.

Impacto nas redes
Entre os conteúdos mais populares que circularam entre os manauaras nas últimas semanas, estão vídeos intitulados como “ninguém me entende aqui em Manaus”, “qual o teu maior medo aqui em Manaus?” e “homem casado do distrito”. Outro exemplo que viralizou, atingindo mais de 11 milhões de pessoas, mostra um canguru de apoio emocional barrado em um voo.

Nesses vídeos produzidos pela Veo 3, o que mais chama a atenção é a capacidade de criar atores fictícios, expressões faciais e falas personalizadas. Basta digitar um prompt, que é um comando em texto com as informações desejadas, e o sistema transforma a solicitação em imagem e som realistas.

Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o especialista em IA Generativa, Wendel Castro, explica que a Veo 3 se destaca por sua ampla gama de ferramentas, incluindo a criação de trilhas sonoras, efeitos especiais e controle emocional dos personagens com comandos simples.
“No dia a dia de quem vive criando conteúdo, a Veo 3 chega com uma proposta que combina de forma muito interessante a simplicidade com resultados de alta qualidade. Com a integração ao ‘mundo Google’, há naturalidade nas cenas. Você pede e ela faz. A personalização parte de comandos em linguagem simples”, disse o especialista.

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Ele destaca ainda que, com comandos em linguagem natural e cotidiana, é possível alcançar resultados impressionantes que se assemelham a vídeos reais.
“Ela dispensa aqueles ajustes manuais super complexos que pessoas sem experiência na área de criação de vídeo têm dificuldade, me incluo nesse meio. Além disso, serve para todos os públicos. Seja você um entusiasta ou um profissional experiente, a ideia é que a ferramenta seja acessível, sem exigir um supercomputador ou um curso intensivo para começar”, explicou Wendel.
Os riscos da IA
Para alcançar esse nível de sofisticação, a Veo 3, segundo seus desenvolvedores, passou por um treinamento extenso com bases de dados robustas, incluindo clipes de vídeo reais, trilhas sonoras, roteiros, descrições textuais, imagens e efeitos visuais.
O especialista em Segurança Cibernética e Inteligência Artificial Generativa, Eduardo Mazzoni, lembra que esse tipo de treinamento utiliza até dados de vídeos do YouTube, como citado por Mira Murati, ex-diretora executiva da OpenAI, criadora do ChatGPT e do Sora.
“Há também o uso indevido relacionado à violação de direitos autorais e de imagem, como a reprodução não autorizada de vozes, rostos, marcas ou ambientes protegidos por lei. Muitas ferramentas estão copiando dados da internet e redes sociais sem o consentimento dos usuários. A tecnologia é poderosa, mas precisa andar lado a lado com a responsabilidade digital”, explicou Mazzoni.

Deepfakes e manipulação de informações
Mazzoni alerta que um dos maiores perigos dos vídeos criados por Inteligência Artificial está em seu uso para manipular a opinião pública, disseminar informações falsas, incitar violência, fraudar dados e até executar golpes financeiros.
“Um dos principais perigos é a manipulação, os chamados deepfakes, que simulam com alta precisão rostos, vozes e situações que nunca ocorreram. Isso pode ser utilizado para espalhar fake news, influenciar eleições, difamar pessoas públicas ou criar fraudes digitais complexas. Caso a IA seja alimentada com dados incorretos ou enviesados, ela pode gerar conteúdos convincentes”, afirmou o especialista.
Além disso, ele reforça a preocupação com a reprodução não autorizada de vozes, rostos e marcas, que configura violação de direitos autorais e de imagem.
“É essencial que o uso da IA na criação de vídeos seja feito com responsabilidade, transparência e limites éticos bem definidos. Empresas, desenvolvedores e usuários devem adotar mecanismos de verificação, marcar conteúdos gerados por IA e respeitar legislações existentes, como a LGPD”, concluiu ele.
Como identificar vídeos criados por IA
Apesar da sofisticação das ferramentas, os especialistas afirmam que é possível identificar quando um vídeo foi produzido por IA. Para isso, é necessário um olhar crítico e uma desconfiança saudável. Veja algumas dicas:
- Movimentos estranhos ou repetitivos: mãos, olhos ou expressões faciais podem se mover de maneira artificial ou robótica, principalmente em vídeos com humanos;
- Cenários ou objetos com distorções sutis: observe fundos, reflexos, dedos ou sombras. Pode haver falhas como números borrados, mãos com dedos a mais ou objetos fundidos de forma estranha;
- Áudio e fala perfeitamente sincronizados, mas sem variações naturais: vozes geradas por IA tendem a soar muito “perfeitas”, sem erros, hesitações ou respiração realista;
- Falta de bastidores ou créditos: a ausência de making of ou de créditos reais pode indicar que o conteúdo é sintético;
- Ausência de fontes verificáveis: desconfie de vídeos com cenas impactantes que não tenham sido confirmadas por fontes confiáveis. Pode ser conteúdo falso.






