Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma mobilização está sendo articulada por estudantes e docentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), após a Justiça suspender a bonificação de 20% garantida aos candidatos do estado para acesso ao ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificado (Sisu). O ato público acontece nesta sexta-feira, 1°/3, a partir da 16h, na entrada da instituição, conhecida como “Praça da Resistência”.
A decisão judicial prejudicou mais de 2 mil candidatos aprovados com a anulação da matrícula. Uma petição online que pede o retorno da bonificação, já possui 20.592 assinaturas, com a expectativa de atingir 25 mil. O abaixo-assinado está disponível na plataforma Charge.org.
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Após a decisão pelo fim da bonificação, a Ufam também suspendeu por tempo indeterminado, a matrícula da chamada regular institucional dos aprovados no Sisu 2024, e docentes e alunos da instituição, estão se articulado em várias frentes, pela União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), pela União Nacional dos Estudantes no Amazonas (UNE-AM) e pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufam.
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o vice-presidente da UNE, Fabrício Lira explica que “essa bonificação é muito importante para equiparar a disputa dos estudantes aqui do Amazonas com os estudantes de outros estados, e é para sobretudo colocar os estudantes daqui da nossa terra, na Universidade Pública Federal”.
O objetivo do ato, segundo os organizadores, é mobilizar a sociedade e o poder jurídico para revogar a decisão judicial da juíza Marília Gurgel, da 3ª Vara Federal Cível da Justiça Federal, que negou bonificação de 20% nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para estudantes do estado.
Na última segunda-feira, 26/2, o desembargador Alexandre Machado Vasconcelos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), rejeitou o recurso da Ufam e manteve suspenso o bônus regional. O DCE publicou uma nota de repúdio contra a decisão, em suas redes sociais.
“Manifestamos total solidariedade aos estudantes do Amazonas que estão sendo punidos com a decisão da magistrada, que viola a tentativa de corrigir distorções socioeconômicas, a magistrada parece desconhecer ou ignorar as especificidades de nossa região, mais especificamente do Estado do Amazonas, desconsiderando a diversidade territorial, sociocultural, econômica e humana. Tal decisão implica na exclusão de qualquer tentativa de superação das desigualdades de estudantes de uma região que historicamente é esquecida. Neste momento cabe repúdio à essa decisão”, afirma DCE.
Por meio de nota, a Ufam alega que a retomada das matrículas dos aprovados no processo seletivo depende das providências que Ministério da Educação adotar em torno do assunto. Pois assim, a instituição fica impossibilitada de executar o comando dado na decisão judicial e, portanto, prosseguir com a matrícula institucional.






