Redação Rios
MANAUS (AM) – A Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) anunciaram o banimento definitivo do professor de jiu-jitsu Melqui Galvão após a repercussão de denúncias de abuso envolvendo alunas.
Em nota, as entidades afirmaram ter recebido o caso com “profunda indignação” e classificaram as condutas atribuídas ao treinador como incompatíveis com os princípios éticos do esporte.
Melqui Galvão foi preso preventivamente na terça-feira, 28/4, em Manaus, durante operação da Polícia Civil de São Paulo, por meio da 8ª Delegacia de Defesa da Mulher. Ele é investigado por suspeita de crimes contra alunas, com ao menos três possíveis vítimas já identificadas.
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A investigação teve início após a denúncia de uma ex-aluna de 17 anos, que relatou ter sofrido abusos sem consentimento durante uma competição internacional. Atualmente nos Estados Unidos, a jovem prestou depoimento acompanhada por familiares.
Segundo a polícia, uma gravação entregue às autoridades indicaria que o suspeito teria admitido, de forma indireta, o ocorrido aos pais da adolescente e tentado evitar a denúncia ao oferecer compensação financeira.
No material, o treinador afirma: “não coloquei a mão por baixo da blusa; só toquei rapidamente a barriga, por poucos segundos, achando que ela estava dormindo”. Ele também declara estar “extremamente envergonhado” e se coloca à disposição para arcar com despesas da vítima e de sua mãe.
Durante as apurações, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados, com relatos semelhantes. Em um dos casos, a denúncia aponta que a vítima tinha 12 anos à época dos fatos.
Reconhecido no meio esportivo, Melqui Galvão é pai do atleta Mica Galvão, destaque da nova geração do jiu-jitsu brasileiro e campeão mundial em competições internacionais.
Além da atuação como treinador, ele também integra a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). Em nota, a instituição informou que afastou o servidor de forma cautelar, iniciou apurações internas e encaminhou o caso à Corregedoria, que deve instaurar procedimento disciplinar. A corporação ressaltou que não compactua com desvios de conduta e reafirmou o compromisso com a legalidade e a ética.
Na mesma nota, CBJJ e IBJJF destacaram que o treinador está proibido de participar de qualquer evento ou atividade promovida pelas entidades. As federações reforçaram o repúdio a práticas que coloquem em risco a integridade de praticantes, especialmente crianças e adolescentes, e enfatizaram que denúncias serão tratadas com rigor.
As organizações também ressaltaram a importância da coragem das vítimas em denunciar, apontando que a exposição dos casos pode incentivar outras pessoas a buscar justiça. O caso segue em investigação.






