MANAUS (AM) – As Forças de Segurança do Amazonas detalharam, nesta segunda-feira, 18/6, a prisão de Gabriel Maciel, de 33 anos, investigado por matar o próprio pai, o policial militar aposentado José Moura Maciel, de 60 anos, e ocultar o corpo em uma cacimba no bairro Nova Esperança, zona Oeste da capital.
Durante coletiva de imprensa, o delegado da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Ricardo Cunha, classificou o crime como “triste e macabro” e revelou detalhes da investigação que levou à localização da ossada da vítima, desaparecida desde 2019.
“Esse senhor foi enterrado de cabeça para baixo, dentro de uma cisterna, enrolado em uma rede, tratado como um animal. Um filho que tratou o próprio pai dessa forma”, declarou o delegado.
O delegado Ricardo Cunha revelou detalhes da investigação que levou à localização da ossada da vítima (Foto: Reprodução/Internet)
Segundo as investigações, Gabriel era usuário de drogas e teria cometido o crime para roubar armas de fogo do pai e vendê-las no mercado clandestino em troca de entorpecentes. De acordo com Ricardo Cunha, criminosos teriam convencido o suspeito a matar o pai.
“O pai era a única pessoa que ainda ajudava ele, levava mantimentos todos os meses, um rancho. Mesmo assim, ele resolveu assassinar o próprio pai”, afirmou Ricardo Cunha.
De acordo com a polícia, Gabriel já havia mostrado as armas do policial aposentado nas redes sociais antes do crime, o que teria despertado o interesse de criminosos. “Tudo leva a crer que foi um crime premeditado. A bandidagem já tinha colocado os olhos nessas armas”, destacou o delegado.
Atuação integrada
O delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Amazonas, Guilherme Torres, afirmou que as forças de segurança atuaram de forma integrada para localizar o corpo. A autoridade informou que o Corpo de Bombeiros foi acionado para auxiliar na retirada da ossada, encontrada em meio a diversos entulhos no quintal da antiga residência da família.
Ainda segundo Torres, o suspeito já está detido. “Conseguimos encontrar o corpo e o suspeito já se encontra flagranteado pelo crime de ocultação de cadáver e vai responder também por homicídio qualificado”, disse.
O subcomandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Thiago Balbi, destacou que José Moura havia ido ao encontro do filho para entregar mantimentos quando foi assassinado.
“As informações que temos é que ele procurou o filho, que estava em situação de rua, para levar ajuda. Durante essa visita, foi brutalmente assassinado”, afirmou.
A polícia informou ainda que o caso era tratado inicialmente como desaparecimento e só passou para a DEHS após novas informações surgirem.
A madrasta de Gabriel teve papel fundamental na investigação ao localizar o suspeito, que vivia em situação de rua na região da Ponta Negra, e convencê-lo a comparecer à delegacia.
Na unidade policial, Gabriel confessou o crime e indicou o local exato onde o corpo estava enterrado. Segundo Ricardo Cunha, o investigado relatou o homicídio “com riqueza de detalhes”, apesar de alegar que o uso intenso de drogas dificulta lembrar de toda a dinâmica.
A principal linha investigativa aponta que José Moura foi morto por enforcamento, mas a causa da morte ainda será confirmada por perícia. A polícia também apura a possível participação de terceiros no crime. Gabriel Maciel teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e permanece à disposição da Justiça.