Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Moradores retirados de imóveis durante uma operação de reintegração de posse na avenida 7 de Maio, no bairro Santa Etelvina, zona Norte de Manaus, denunciaram agressões e falta de assistência habitacional nesta quarta-feira, 28/10.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, dois ocupantes relataram ferimentos, incluindo o de uma criança de seis anos, e questionaram a ausência de aviso prévio sobre a demolição das casas.
Ismael Paulo Alves Soares, morador de uma das residências, afirmou ter sido atingido por disparos de arma de fogo e disse que o filho também ficou ferido na mão durante a ocorrência.
“Teve coragem, pô, de dar um tiro aqui na minha testa, outro tiro na minha mão. A gente sem arma nenhuma, só querendo reivindicar a moradia para o povo, aqui na comunidade onde o povo precisa, cara. Meu filho pegou aqui na mão dele. Tem seis anos, seis anos. A gente vem aqui porque a gente quer estar, porque a gente precisa”, relatou.

Moradores cobram assistência habitacional
Ismael afirmou que as retiradas de imóveis ocorrem há anos e questionou a falta de soluções para as famílias. Segundo ele, houve promessas de pagamento de aluguel e cadastramento dos moradores, mas os compromissos não teriam sido cumpridos.
“É a quarta vez que a gente vem aqui. Eles falam que vão fazer apartamentos e que vão dar para a gente. Prometeram uma vez pagar aluguel para os filhos, né, moradia, e nunca nem pagaram. É sempre só tirando e fica abandonado aqui. Sempre tiram e fica abandonado. Falam que fazem cadastro, mas nunca fizeram”, declarou.
A moradora Francisca Eurenice Machado Lima também denunciou agressões e afirmou que as famílias não foram avisadas previamente sobre a demolição dos imóveis nem tiveram tempo para retirar seus pertences.
“Estamos passando por uma humilhação. A polícia esteve aqui dentro fazendo um mapeamento. Vários moradores perguntaram o que estava acontecendo, e eles disseram que era um caso de rotina. Hoje, para nossa surpresa, amanhecemos o dia nessa situação. Eu acho humilhante, bateram muito nas pessoas, teve tiro não só de borracha aqui dentro”, contou.

Aposentada, Francisca afirmou morar sozinha na comunidade há quase dois anos e defendeu uma alternativa habitacional para as famílias. Ela destacou que a localização facilita o acesso a escolas e outros serviços.
“Infelizmente, os nossos governantes daqui da Amazônia não olharam para o povo. E nós não queremos sair daqui porque aqui é perto da escola dos nossos filhos, temos acesso a escolas e a tudo. Pelo que eu conheço da lei, quando o poder público precisa da área, tem que dar uma casa digna para cada morador, e isso não está acontecendo aqui na Águas de Midez”, afirmou.
Área deve receber 320 moradias
Segundo a Procuradoria-Geral do Município (PGM), o terreno tem aproximadamente 21 mil metros quadrados, pertence ao município e será destinado à construção de 320 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.
O procurador municipal Thiago Calandrini afirmou ao riosdenoticias.com.br que o projeto foi aprovado pela Caixa Econômica Federal e que a liberação da área é necessária para dar continuidade à iniciativa. Antes do avanço das obras, o terreno precisa passar por terraplanagem.
Até o momento, não foram informados detalhes sobre o atendimento habitacional destinado às famílias retiradas do local.






