Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) divulgou nota de esclarecimento nessa quinta-feira, 23/1, após a publicação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) pelo Ministério da Educação (MEC). A entidade aponta inconsistências na metodologia e na divulgação das notas.
Segundo o Semesp, não há evidências de que a formação médica oferecida no Brasil represente risco à saúde da população. A entidade destaca que estudantes de Medicina passam por avaliações contínuas ao longo dos seis anos de curso e que as graduações são regularmente fiscalizadas pelo MEC, com avaliações presenciais e instrumentos oficiais de controle de qualidade.
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Em nota, o sindicato considera inadequada qualquer proposta de criação de um exame adicional de proficiência para formandos em Medicina. “O ordenamento jurídico brasileiro assegura ao egresso o direito ao registro profissional mediante diploma emitido por instituição devidamente credenciada”, afirma o Semesp, ressaltando que apenas o Inep e o MEC possuem competência legal para avaliações dessa natureza.
Por se tratar da primeira edição do Enamed, o Semesp avalia que os resultados não devem ter caráter conclusivo. A entidade lembra que o exame não previa sanções ou impactos diretos na trajetória acadêmica ou profissional dos estudantes, o que pode ter influenciado o nível de engajamento dos participantes durante a prova.
“Muitos estudantes, após seis anos de formação e já em fase final do curso, realizaram a prova em um domingo, sem comunicação clara sobre sua finalidade e impactos, o que pode ter influenciado o engajamento. Além disso, não se deve atribuir caráter conclusivo a uma avaliação pontual de quatro horas como medida definitiva.”
Trecho de nota do Semesp
Outra questão levantada é a falta de clareza na divulgação dos resultados. O Semesp afirma que identificou divergências entre dados inicialmente enviados às instituições e os números posteriormente publicados pelo Inep, especialmente em relação à metodologia utilizada para definição da proficiência dos alunos.
A entidade também critica a escala de conceitos de 1 a 5, adotada de forma desigual, o que, segundo o sindicato, dificulta a compreensão pública e pode gerar distorções ao agrupar desempenhos muito diferentes em uma mesma faixa de avaliação.
“O modelo adotado confunde a sociedade e expõe indevidamente estudantes e instituições”, diz a nota, ao destacar que critérios e parâmetros do exame foram divulgados apenas após a aplicação da prova, comprometendo a transparência do processo.






