Caio Silva – Rios de Notícias
ITACOATIARA (AM) – A suspensão do transporte escolar levou pais, estudantes e moradores da comunidade Nossa Senhora das Graças, na região da Costa da Conceição, zona rural de Itacoatiara, a cobrarem melhorias no serviço e na estrutura da Escola Estadual Anília Nogueira da Silva nesta segunda-feira, 15/6.
O grupo pede a retomada imediata do transporte e a melhoria da infraestrutura da unidade escolar. Entre as principais reclamações estão a ausência de embarcações para o deslocamento dos estudantes, a precariedade da escola e os prejuízos ao desempenho acadêmico dos alunos.
De acordo com testemunhas, a interrupção do transporte escolar fluvial ocorreu em razão da falta de pagamento aos responsáveis pelas embarcações que prestam o serviço. Como consequência, estudantes de comunidades ribeirinhas enfrentam dificuldades para frequentar as aulas regularmente.
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Ainda segundo relatos, a situação tem provocado faltas frequentes, atraso no conteúdo programático e dificuldades para o cumprimento do calendário escolar. Algumas famílias passaram a custear o transporte dos filhos por conta própria, enquanto outras afirmam não ter condições financeiras para arcar com as despesas.
Rotina marcada por incertezas
Em entrevista a uma TV local, por meio de vídeo gravado por um morador, uma estudante que está concluindo o ensino médio relatou as dificuldades enfrentadas no ano final da vida escolar.
“Estou no ano de conclusão, por conta da formatura que está por vir, mas está muito difícil. As condições do transporte, que não está tendo, dificultam muito a nossa aprendizagem no colégio. Também são muitas atividades pendentes que a gente não consegue realizar aqui na escola”, disse.
A estudante afirmou ainda que parte do conteúdo é repassada de forma online, mas que as dificuldades de acesso e a ausência de aulas presenciais prejudicam o acompanhamento.
“São atividades online, só que a gente não consegue acompanhar. Os professores fazem de tudo, mas não estão dando conta de tudo. Os transportadores também, porque a gente depende deles. Sem eles, a gente não consegue chegar à escola”, afirmou.
Poucas aulas durante a semana
Segundo a estudante, as dificuldades se agravam em períodos de chuva intensa ou quando não há embarcações disponíveis para o trajeto entre as comunidades e a escola. Em algumas semanas, os alunos conseguem comparecer apenas um dia às aulas.
“Poucos dias, muito poucos dias. Às vezes a gente vem um dia e passa a semana toda sem conseguir voltar para a escola. Muitas vezes a gente vem apenas uma vez na semana. São muitas dificuldades que a gente passa”, relatou.
Ela afirma que o principal desejo dos estudantes é retomar uma rotina regular de estudos para concluir o ano letivo sem prejuízos.
“Tudo o que a gente quer é que melhore e que a gente possa ter uma semana de aula normal até o final do ano para conseguir concluir os estudos da melhor forma possível”, acrescentou.
Falta de transporte
A estudante relata ainda prejuízos pessoais causados pela situação, como a perda de oportunidades acadêmicas. Segundo ela, a falta de transporte a impediu de participar da segunda fase do Processo Seletivo Contínuo (PSC) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
“A gente foi prejudicado porque não conseguiu ir. Muitos alunos perderam provas importantes. Eu perdi a segunda fase do PSC. Era uma oportunidade que serviria de preparação para o Enem e para os próximos passos da minha vida”, lamentou.
Apesar das dificuldades, ela afirma que mantém o sonho de seguir na área da educação. “Meu sonho é ser professora. Quero poder estudar, me formar e também ajudar outras pessoas através da educação”, declarou.
Moradores cobram melhorias estruturais
Além do transporte, a comunidade denuncia problemas na estrutura da Escola Estadual Anília Nogueira da Silva. Segundo moradores, a unidade funciona em um prédio de madeira considerado provisório e inadequado.
Em vídeo gravado na manhã desta terça-feira, 16, pelo morador Klinger Rebelo, são mostradas condições estruturais precárias da escola, incluindo fiação exposta e ausência de extintores de incêndio.
“Não tem rota de fuga aqui. A escola é toda de madeira. Não podemos descartar qualquer incidente (…) As tábuas estão todas podres, é uma situação deplorável”, afirmou.
Moradores também relatam preocupações com a qualidade da água consumida pelos estudantes e com a segurança da estrutura.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (Seduc-AM) para solicitar posicionamento sobre a situação, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos citados.






