Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Bosque da Ciência é um museu vivo na Amazônia, localizado na área central de Manaus, no bairro Petrópolis, zona Centro-Sul. No espaço, os visitantes podem encontrar diferentes tipos de animais, trilhas suspensas e agroflorestais, um parque aquático e a Ilha da Tanimbuca.
Com entrada gratuita, o Bosque da Ciência funciona de terça-feira a domingo, das 9h às 16h30 (com permanência permitida até as 17h). O espaço faz parte do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e proporciona um ambiente de tranquilidade e aprendizado em meio à cidade, permitindo um contato direto com a natureza e com a biodiversidade amazônica.

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No quadro Rolê Rios, o engenheiro químico Bruno Seabra explicou que o bosque abriga animais resgatados de situações de risco, como caça predatória, além de manter um berçário de peixes-bois órfãos, onde eles recebem os cuidados necessários para a reabilitação.
“O projeto de resgate do peixe-boi é realizado aqui. Todo animal encontrado machucado ou órfão é trazido para cá. Temos uma etapa de cuidados específica. Vale ressaltar que aqui não é um zoológico. Então, realizamos o monitoramento para garantir que ele não está sendo novamente caçado, o que acontece com frequência. Depois, eles são readaptados ao novo habitat”, explicou o engenheiro.

Entre os animais que vivem livres no bosque, os macacos chamam a atenção dos visitantes ao saltarem de galho em galho e se alimentarem das árvores frutíferas do local. As espécies presentes incluem o macaco-de-cheiro, o parauacu, o sauim-de-coleira e o macaco-da-noite.
No entanto, especialistas alertam que é fundamental manter distância, evitar o contato direto e não alimentar os animais.
“Nossos visitantes devem evitar interagir diretamente com os animais, principalmente alimentá-los, porque temos uma equipe responsável por esse cuidado. Então, é muito importante respeitar essa orientação”, destacou o engenheiro agrônomo Leonardo Glória.

Trilhas em meio à floresta
Além dos animais, o Inpa oferece trilhas acessíveis para todos os públicos. A trilha suspensa, com 110 metros de comprimento, fica acima do nível médio das árvores e interliga a Ilha da Tanimbuca ao Paiol da Cultura.
Já na trilha agroflorestal, o contato é direto com a terra. Por não ser pavimentada, a recomendação é utilizar calçados adequados para percorrê-la.


Ilha da Tanimbuca
Outro aspecto importante do Bosque é que a área do INPA é fruto de um processo de reflorestamento. No passado, o local abrigava diversas fábricas, mas pesquisadores, técnicos e assistentes trouxeram sementes de plantas nativas para restaurar a vegetação. Atualmente, a única árvore original da região é a Tanimbuca, com aproximadamente 630 anos.

“A Tanimbuca tem cerca de 630 anos. É o único indivíduo que estava aqui antes da área ser reflorestada pelos pesquisadores. Durante todo esse tempo, ela se manteve em pé, fornecendo abrigo para macacos, pássaros e insetos. Há séculos, essa árvore tem contribuído para a natureza”, afirmou Roberto Amaro Bianco, professor de Biologia.

Experiência dos visitantes

A visitante Beatriz Oliveira, que conheceu o Bosque da Ciência pela primeira vez, destacou a experiência imersiva e a sensação de bem-estar proporcionada pelo ambiente natural.
“Gente, um macaquinho passou pertinho da gente! A gente não pode tocar neles, mas foi muito legal ver de perto. É a minha primeira vez no INPA, moro aqui há 18 anos e nunca tinha vindo. Quando estamos aqui dentro, conseguimos respirar melhor, o ar é mais puro. É totalmente diferente, a gente sente o clima pesado, o ar abafado só lá fora”, relatou Beatriz.












