Redação Rios
MANAUS (AM) – A terceira edição do Bar do Boi 2026, realizada no sábado, 2/5, transformou o Sambódromo de Manaus em um espaço de celebração cultural, marcado por ancestralidade, emoção e simbolismo.
Com o tema “Misticismo e Revolução”, a noite teve como destaque o encontro inédito de três gerações de pajés do Boi Caprichoso: Waldir Santana, Neto Simões e Erick Beltrão.

Com o espaço lotado pelo público azul e branco, o espetáculo reuniu toadas consagradas e uma apresentação que ultrapassou a dimensão musical, incorporando elementos espirituais e históricos ligados à tradição do boi-bumbá. O pajé, um dos itens mais emblemáticos do Festival de Parintins, foi o eixo central da performance.
“É uma emoção enorme. Eu me sinto como se estivesse fazendo tudo de novo pela primeira vez. O pajé, hoje, está mais aberto, mas no início não era fácil. A gente construiu esse caminho. Eu sou cultura, sou poesia, sou movimento”, afirmou Waldir Santana, ao relembrar sua trajetória de três décadas defendendo o item no Festival de Parintins.
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A preparação dos artistas também envolveu elementos de espiritualidade antes da apresentação. “Eu peço permissão aos espíritos da floresta para que tudo dê certo. A gente representa algo muito forte dentro da questão xamânica, então precisa dessa conexão”, destacou Neto Simões.
Para Erick Beltrão, o encontro entre gerações reforça a continuidade da tradição. “É uma forma de valorização dos artistas e da nossa história. Dividir o palco com essas gerações é muito especial e essa noite vai ficar marcada”, disse.
Além do momento dedicado aos pajés, o evento contou com apresentações de Ornello Reis, Júlio Persil, Márcio do Boi, Edmundo Oran, Diego Brelaz e Paulinho Viana. A Marujada de Guerra, a Raça Azul e o Corpo de Dança Caprichoso também participaram, reforçando a identidade visual e sonora da apresentação.
O encerramento foi marcado por uma procissão cênica, quando o boi Caprichoso deixou o palco e avançou entre o público, promovendo uma interação direta antes de retornar à arena para a finalização do espetáculo.
“Foi uma experiência diferente de tudo que eu já vivi aqui. Não foi só show, teve um momento que parecia realmente um ritual. Quando os três pajés estavam juntos deu um arrepio. E quando o boi veio pra galera, parecia que todo mundo fazia parte daquilo”, relatou o espectador Breno Pereira.
Mais do que uma apresentação festiva, o Bar do Boi reforça seu papel como espaço de valorização da cultura popular amazônica e de fortalecimento das tradições que antecedem o Festival de Parintins.
*Com informações da assessoria






