Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O subsecretário municipal de Habitação, Junior Nunes (Agir), avaliou o cenário político pré-eleitoral no Amazonas e comentou as especulações sobre uma possível candidatura do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ao governo do Estado em entrevista ao quadro Jogo Limpo, da Rádio Rios FM 95,7, nesta sexta-feira, 9/1.
Questionado sobre o clima de tensão política e o recente rompimento entre David Almeida e o senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao governo, Nunes afirmou que o tema nunca foi tratado de forma direta dentro da gestão municipal. Segundo ele, apesar de não haver uma definição formal, existe uma predisposição clara de apoio ao prefeito caso ele decida entrar na disputa.
“Ele [prefeito David] nunca conversou com a gente sobre esse assunto. Mas se ele for candidato, ele vai ter o apoio de todo o grupo”, afirmou o subsecretário.
Subsecretário minimiza pesquisas e questiona rejeição elevada
Ao comentar pesquisas que apontam rejeição superior a 70% ao prefeito de Manaus, Junior Nunes minimizou os números e disse que o cenário tende a mudar durante o período eleitoral. Para ele, a leitura feita fora da campanha não reflete necessariamente o comportamento do eleitor na hora do voto onde as opções são limitadas.
“A leitura de hoje não é a mesma leitura que vai fazer durante a eleição. Porque, assim, durante a eleição você vai ter que escolher um ou outro [candidato]”, explicou.
Nunes destacou ainda que, segundo levantamentos que ele considera mais consistentes, a rejeição entre os principais nomes é semelhante. “A pesquisa fala que todos os candidatos têm uma rejeição mais ou menos parecida, que é na faixa dos 30%. A pesquisa eleitoral fala isso, não 70%”, disse, acrescentando que “tem pesquisa para todos os gostos” e que é preciso identificar “qual é a pesquisa verdadeira”.
Apesar de relativizar os índices, o subsecretário reconheceu que há um desgaste considerado natural da gestão municipal, especialmente em fim de mandato. Segundo ele, a rejeição não é um fenômeno exclusivo da atual administração.
“É óbvio que existem problemas. Óbvio que existe rejeição. Todos os prefeitos de Manaus, com segundo mandato ou no final do mandato, tiveram rejeição. Isso é natural”, afirmou.
Para Nunes, a complexidade da capital amazonense torna inevitável esse cenário. “Manaus é uma cidade muito difícil de lidar. Não teve ninguém que foi prefeito por quatro anos ou por dois mandatos e saiu da prefeitura com a reprovação baixa.”
Ataques vistos como sinal de força
O subsecretário também disse estranhar os ataques frequentes ao prefeito e avaliou que isso pode ser um sinal de força política. “Como é que uma pessoa que não tem condição política de ser eleita governador incomoda tanto os grupos políticos?”, questionou.
Na avaliação dele, a atenção dedicada a David Almeida revela preocupação dos adversários. “Por que essa preocupação toda? Então, se ele for candidato, eu acredito que ele tem grandes chances e vai ter todo o nosso apoio, de todo o seu grupo. Com toda certeza.”
Por fim, Júnior Nunes afirmou que, caso se concretize a candidatura, teria como trunfo as ações realizadas pela gestão municipal, muitas das quais, segundo ele, não recebem a devida visibilidade.
“Se, eventualmente, ele for candidato a governador, a gente tem muito a mostrar de coisas que foram feitas que, às vezes, não é divulgado ou é divulgado de forma superficial”, disse, ao apontar possíveis falhas de comunicação. “Eu acho que trabalho tem.”












