Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O anúncio de reajuste salarial de 4,14% e da realização de um concurso público com 7.862 vagas para a Educação do Amazonas, feito pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), gerou reação de professores e representantes sindicais. Docentes e o Asprom Sindical classificaram o percentual como insuficiente em vídeos e publicações divulgados nesta terça-feira, 23/6.
Segundo Roberto Cidade, o Estado pretende realizar ainda em 2026 um concurso público para a Secretaria de Educação, além de conceder reajuste salarial aos trabalhadores da rede estadual. No entanto, representantes da categoria afirmam que as medidas não contemplam as principais demandas dos profissionais da educação.
“Precisamos aumentar o número de concursados, de professores, de merendeiros e de assistentes sociais. Vamos fazer um estudo técnico para avaliar a viabilidade e trabalhar para realizar o nosso concurso”, afirmou Cidade.
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Reajuste de 4,14% é alvo de críticas
Nas redes sociais, o professor Jamisson Maia afirmou que o reajuste está distante da realidade enfrentada pela categoria, que, segundo ele, acumula perdas salariais próximas de 13%.
“Esse reajuste é ínfimo, não cobre as datas-bases anteriores e representa apenas 4,14%, enquanto a categoria tem uma defasagem salarial de aproximadamente 13%”, disse.
Ele também criticou a previsão de pagamento de abono do Fundeb no fim do ano e defendeu que os recursos sejam destinados à recomposição salarial permanente.
“Se vai ter abono do Fundeb no final do ano, por que não garantir um reajuste real para a categoria? Essa é a verdadeira valorização dos trabalhadores da educação”, questionou.
‘Uma professora vale 4,14%’, diz educadora
A professora Vanessa Antunes também se manifestou nas redes sociais, criticando o percentual anunciado pelo governo.
“Quanto vale um professor? Vou te responder rapidinho: ele vale 4,14%. Esse é o número que um professor hoje vale no Estado do Amazonas”, afirmou.
Ela também criticou a prática de pagamento de abonos em períodos específicos, alegando que os recursos do Fundeb deveriam ser aplicados em valorização estrutural da carreira.
“Sempre que um representante anuncia um abono, significa que aquele dinheiro que deveria ter sido usado para reajuste digno e progressões não foi utilizado”, disse.
Sindicato fala em ‘escárnio’ e cobra recomposição
Em nota, o Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical) afirmou ter recebido os anúncios com “escárnio e repúdio”. A entidade sustenta que o reajuste não recompõe as perdas inflacionárias acumuladas nos últimos anos.

Segundo o sindicato, o percentual de 4,14% está abaixo da inflação estimada em cerca de 13% que ainda precisa ser incorporada aos salários da categoria. O grupo também critica a ausência de respostas para outras demandas da pauta de reivindicações.
“É um percentual insignificante e inferior aos quase 13% de inflação atrasada que o governo deve à nossa categoria profissional”, diz a nota.
A entidade ainda questiona a política de pagamento de abonos do Fundeb, afirmando que os valores deveriam ser incorporados aos salários.
“Essa negligência prejudica a progressão na carreira e a aposentadoria dos servidores, já que os valores pagos em forma de abono não são incorporados aos salários”, afirmou o sindicato.
Governo fala em pagamento ainda neste mês
Durante pronunciamento, Roberto Cidade afirmou que o reajuste da data-base será pago ainda em junho, com retroativo de março sendo quitado a partir de julho.
“Vamos pagar a nossa data-base no percentual de 4,14% ainda neste mês de junho e, em julho, já vamos pagar o retroativo de março pra cá. E ainda teremos o Fundeb no fim do ano”, declarou.
Governo não se manifestou
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o Governo do Estado do Amazonas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.






