MANAUS (AM) – A possibilidade de retirada do Discord do ar no Brasil vem gerando críticas entre especialistas em tecnologia e cibersegurança. Para o especialista em cibersegurança Eduardo Mazzoni, ouvido pelo Portal Rios de Notícias, uma eventual medida contra a plataforma pode representar um retrocesso e atingir usuários que utilizam o serviço para atividades legítimas.
Mazzoni destacou que o Discord não é utilizado apenas para entretenimento e que a plataforma reúne comunidades voltadas a estudos, trabalho, jogos e comunicação. Segundo ele, uma decisão de retirar o aplicativo do país poderia afetar usuários que dependem da ferramenta no dia a dia.
“Dentro do Discord existem grupos de trabalho, de estudos, existem automações, existem pessoas que realmente estão utilizando pro bem, desde conversas a jogos. É uma plataforma integrada de comunicação rápida e segura, com uma comunicação leve, sem utilizar outros servidores, e muita gente vai ser prejudicada a nível global”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a responsabilização deve considerar quem utiliza a ferramenta para cometer crimes, e não atribuir à própria plataforma a prática das condutas criminosas.
“Não é a plataforma que comete crimes, são as pessoas”, complementou Mazzoni.
Eduardo Mazzoni, especialista em segurança digital – (Foto: Reprodução/ Instagram)
A declaração ocorre em meio à ofensiva do governo federal contra o Discord. Na quarta-feira, 5/8, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, defendeu que o Brasil retire a plataforma do ar. Após a manifestação, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a Advocacia-Geral da União (AGU) pretende ingressar com uma ação civil pública contra o aplicativo.
Messias afirmou que o Discord “não tem compromisso com a legislação brasileira e não protege crianças e adolescentes”. O ministro também declarou que pretende solicitar ao Ministério da Justiça o encaminhamento formal das informações para que a AGU possa pedir à Justiça a responsabilização da plataforma e a suspensão de sua utilização no país.
A reação do governo ocorre após um caso envolvendo uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. A jovem teria sido induzida ao suicídio em um servidor da plataforma.
Outro episódio que aumentou a pressão sobre o Discord ocorreu em 2024, quando Pedro Ricardo Conceição da Rocha, conhecido como “King”, foi preso sob suspeita de envolvimento em crimes como associação criminosa, estupro qualificado e coletivo, estupro de vulnerável e corrupção de menores. Segundo as investigações, ele utilizava o Discord para incentivar outros jovens a praticar crimes.
Enquanto o governo avalia medidas contra a plataforma, especialistas defendem que o debate também considere os diferentes usos da ferramenta e a necessidade de responsabilização individual de quem pratica crimes no ambiente digital.