Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A prisão do influenciador e streamer Ivan Luiz Bastos Guimarães, de 33 anos, conhecido como “Itz Ivan”, ocorrida na última sexta-feira, 21/8, levou investigadores a identificar a participação de agentes da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) em um esquema que teria resultado no roubo de R$ 800 mil e 30 quilos de ouro, em Boa Vista (RR).
O desdobramento da investigação resultou, nesta quarta-feira, 26, na prisão preventiva de um delegado e de um investigador da PC-AM, em Manaus.
A apuração é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil de Roraima (PC-RR), e começou após a descoberta de uma falsa abordagem policial utilizada para executar o roubo. O crime aconteceu em 29 de março de 2026, na residência de Ivan, na zona Leste de Boa Vista.
Saiba mais: Delegado e investigador são presos em Manaus por suspeita de envolvimento em roubo de ouro e R$ 800 mil
Até o fechamento da reportagem a defesa do influenciador não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para manifestação.
Influenciador teria planejado falsa abordagem
Segundo as investigações, Ivan atuava como intermediador na negociação de ouro. Garimpeiros entregavam o minério a ele, que ficava responsável por localizar compradores e recebia uma comissão pelas transações.
No caso investigado, porém, ele é suspeito de ter planejado um golpe contra as duas partes envolvidas na negociação. Como já estava com os 30 quilos de ouro pertencentes ao garimpeiro, teria organizado uma falsa operação policial para também tomar os R$ 800 mil que estavam com o comprador.
Para simular a abordagem, o grupo teria utilizado uma viatura oficial descaracterizada, armas, distintivos e roupas semelhantes às utilizadas pela Polícia Civil.
Participação de policiais entrou no radar da investigação
A apuração apontou que a ação contou com a participação de agentes do Amazonas e do investigador da Polícia Civil de Roraima Marcelo Henrique Sobral, de 51 anos.
Marcelo é apontado como um dos parceiros de Ivan no esquema e teria participado da falsa abordagem, além de ser investigado pelo uso de uma viatura da Polícia Civil de Roraima durante a ação.
Segundo os investigadores, ele também teria recrutado outros agentes para participar da simulação. A descoberta da utilização da viatura foi um dos elementos que ajudaram a investigação a avançar na identificação dos envolvidos.
Prisões ocorreram em Boa Vista e Florianópolis
Ivan Luiz e Marcelo Sobral foram presos na sexta-feira, 21, durante a operação. O influenciador foi localizado em Florianópolis (SC), onde havia se mudado depois de deixar Boa Vista.
Marcelo e outros investigados foram presos em Roraima. Ao todo, a operação cumpriu quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão.
Após a prisão, Ivan passou por audiência de custódia no sábado, 22, quando a prisão em flagrante foi convertida em preventiva.
Investigação apura outros roubos milionários
O caso do ouro não é tratado como um episódio isolado. Os quatro presos são investigados por possível participação em outros crimes que teriam provocado prejuízo superior a R$ 23 milhões em Roraima.
A investigação começou em janeiro de 2026, no âmbito da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Roraima (Corregepol). Durante o trabalho, os investigadores identificaram o uso de uma viatura policial em crimes e chegaram ao nome de Marcelo como um dos usuários do veículo.
A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens, imóveis e valores relacionados aos investigados.
Investigador também foi preso por suspeita de fraude
Durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão, Marcelo Sobral também foi preso em flagrante por suspeita de fraude processual, após danificar o próprio celular durante a ação policial. A Corregepol estabeleceu fiança, mas o valor não foi pago.
Ivan Luiz Bastos Guimarães era conhecido nas redes sociais como “Itz Ivan” e atuava como streamer de jogos eletrônicos. Ele publicava vídeos e fazia transmissões ao vivo em plataformas como Twitch e Instagram, além de compartilhar registros de viagens e momentos da vida pessoal.
As investigações seguem para esclarecer a participação individual de cada suspeito, além de tentar identificar o destino dos R$ 800 mil e dos 30 quilos de ouro roubados durante a falsa abordagem.






