Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um delegado e um investigador da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) foram presos preventivamente, nesta quarta-feira, 26/8, em Manaus, durante uma nova fase de uma operação que investiga o roubo de R$ 800 mil e 30 quilos de ouro, ocorrido em Boa Vista (RR).
A ação é conduzida pela Polícia Civil de Roraima (PC-RR) e representa um desdobramento da investigação, que já resultou na prisão de um influenciador apontado como um dos articuladores do crime.
O caso envolve o influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, conhecido como “Itz Ivan”, de 33 anos. Segundo as investigações, ele teria planejado uma falsa abordagem policial para roubar, simultaneamente, o ouro de um garimpeiro e o dinheiro de um comprador durante uma negociação. Até o momento a defesa de Ivan não se pronunciou sobre o caso.
Leia também: Empresário de rede de supermercados é assaltado em haras e prejuízo chega a R$ 1,4 milhão em Manaus
O crime ocorreu em 29 de março, na residência do influenciador, localizada na zona Leste de Boa Vista. Ivan atuava como intermediador de negociações de ouro, recebendo o minério de garimpeiros e apresentando compradores interessados.
Para executar o roubo, o grupo teria utilizado uma viatura oficial descaracterizada, armas, distintivos e roupas semelhantes às utilizadas pela Polícia Civil. A falsa abordagem teria sido montada para dar aparência de uma operação policial legítima.
As investigações apontaram a participação de agentes públicos de diferentes estados, incluindo um investigador da Polícia Civil de Roraima. Policiais do Amazonas também teriam participado da simulação.
Nesta quarta-feira, um delegado e um investigador da PC-AM foram presos preventivamente em Manaus. Até o momento, os nomes dos dois agentes não foram divulgados pelas autoridades.
Também não foram informados oficialmente os papéis que os policiais teriam desempenhado no esquema. Segundo as autoridades, não houve apreensão de materiais com os dois agentes presos.
Em nota enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a Polícia Civil do Amazonas informou que está acompanhando a operação deflagrada nesta quarta-feira, que teve como alvos um delegado e um investigador da instituição, e que está colaborando com as investigações.
A PC-AM reforçou que “não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou desvio de conduta por parte de seus servidores”.
O caso também será encaminhado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública para a devida apuração da conduta dos servidores.
Investigação
As investigações começaram em janeiro de 2026, no âmbito da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Roraima (Corregepol). Durante as apurações, os investigadores identificaram que uma viatura da Polícia Civil de Roraima teria sido utilizada nos crimes.
O veículo era utilizado por Marcelo Sobral, que, segundo a investigação, teria recrutado outros policiais para participar da falsa abordagem. Os elementos reunidos apontam que ele teria envolvimento em pelo menos dois roubos.
Durante o cumprimento de mandados na última sexta-feira, Marcelo também foi preso em flagrante por fraude processual, após danificar o próprio celular durante a operação. A fiança estabelecida não foi paga.
Apontado como um dos operadores financeiros do esquema, Ivan Luiz foi preso em Florianópolis (SC), cidade para onde teria se mudado após o roubo.
Na residência onde foi localizado, os policiais apreenderam celulares, computadores e um carro de luxo. O influenciador também mantém presença nas redes sociais.
Além do roubo dos R$ 800 mil e dos 30 quilos de ouro, a investigação apura outros crimes que teriam causado prejuízo superior a R$ 23 milhões em Roraima.
Ao longo da operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra diferentes investigados. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens, imóveis e valores.
A operação reúne equipes da Polícia Civil de Roraima, por meio da Corregepol e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco), além do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, e do órgão responsável pelo controle externo da atividade policial.






