Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Nos bastidores, um movimento começa a redesenhar o mapa partidário da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O Podemos, que cresceu após fusão com o antigo PSC e atualmente tem três parlamentares na Casa, pode estar prestes a ser esvaziado nas próximas eleições.
O alerta partiu do deputado estadual Dan Câmara (Podemos) durante entrevista ao quadro Jogo Limpo, do Jornal da Rios, ao admitir publicamente que avalia deixar a sigla antes das eleições de 2026.
“Eu fui eleito pelo PSC, que fez a fusão com o Podemos. Acabou que hoje estou no Podemos e até ficou bacana pra mim — uso sempre um slogan, foco na missão e juntos Podemos, com fé em Deus. Mas vejo que o partido está, de alguma maneira, se desconfigurando. Estou analisando a possibilidade de ir para outra sigla”, afirmou o parlamentar.
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Movimento de debandada
A avaliação do deputado reflete uma tendência crescente dentro do partido. Segundo ele, o Podemos no Amazonas “está se inviabilizando” politicamente, o que tem levado parlamentares a repensarem sua permanência.
Além de Dan Câmara, a deputada Alessandra Campelo e o deputado Doutor Gomes — que completam a bancada — também estariam avaliando convites de outras legendas.
“Ouço falar de movimentos da deputada Alessandra Campelo, e eu mesmo estou refletindo sobre alguns convites que já recebi. Não sei se o Doutor Gomes permanece no Podemos, mas vejo uma tendência de partidos menores serem esvaziados e partidos maiores potencializados, até por conta do coeficiente eleitoral”, explicou.
A preocupação com o desempenho das siglas nas urnas tem fundamento. Com a cláusula de barreira e o aumento do quociente eleitoral, Dan Câmara lembrou que, nas próximas eleições, apenas partidos que alcançarem ao menos 90 mil votos terão chances de eleger um deputado estadual no Amazonas.
“As pessoas precisam estar ligadas na composição e estrutura de quem vai concorrer por cada partido. Primeiro é preciso saber se o partido fará o quociente para depois pensar na eleição dos candidatos”, alertou.
Novos convites e futuro incerto
Questionado sobre possíveis destinos, Dan Câmara não descartou conversas com outras legendas e confirmou que uma das portas abertas pode ser o Republicanos, partido comandado no estado pelo deputado federal Silas Câmara, seu irmão. “O Republicanos é uma possibilidade, sim”, reconheceu o parlamentar.
A tendência, no entanto, é que a proximidade do calendário eleitoral — especialmente a janela partidária de março, quando os deputados terão um mês para mudar de sigla sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária — acelere as negociações e defina, nos próximos meses, quem permanecerá no partido e quem buscará novos caminhos.






