Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os policiais militares que apreenderam instrumentos religiosos no terreiro Mina Jejê-Nagô Nossa Senhora da Conceição, na zona Norte de Manaus, foram afastados nesta terça-feira, 30/6, das ruas e colocados em serviço administrativo.
De acordo com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a atuação dos policiais durante a ocorrência. Os envolvidos foram afastados das ruas e colocados em serviço administrativo até a conclusão das investigações.
Segundo relatos do sacerdote Heriberto dos Santos Sena Junior, responsável pelo Centro Religioso, os policiais militares interromperam uma cerimônia religiosa após serem acionados para atender uma denúncia de perturbação do sossego. Durante a ocorrência, três tambores e outros instrumentos considerados sagrados para o culto teriam sido apreendidos e levados ao 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
“Apreenderam nossos instrumentos sagrados, tambores, sinos, cheques e cabaça, onde fomos encaminhados até aqui para poder acompanhar a ocorrência. O artigo 5º da Constituição versa sobre o direito e a liberdade religiosa. E também existe legislação que proíbe o Estado de invadir o nosso templo religioso durante o culto. Eles invadiram durante o culto, não esperaram acabar o culto”, relata Heriberto.

Para o líder do terreiro, a ação reflete um viés de discriminação que frequentemente afeta comunidades tradicionais.
“Está acontecendo isso porque eu sou de uma religiosidade de matriz africana. E por isso aconteceu essa intolerância religiosa, não somente tolerância religiosa. Racismo religioso, conforme o STF já entendeu”, afirmou o líder religioso.
Em nota, a Polícia Militar informou que não orienta nem admite que seus integrantes atuem contra qualquer manifestação religiosa realizada dentro dos limites da legislação vigente e reforçou que respeita a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos.
A corporação destacou que a Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) instaurou um Inquérito Policial Militar para esclarecer as circunstâncias da ocorrência e apurar a conduta dos policiais envolvidos.
“A Polícia Militar do Amazonas não orienta, nem admite que seus integrantes atuem contra qualquer manifestação religiosa realizada dentro dos limites da legislação vigente”, informou a instituição.
A PMAM também afirmou que não tolera atos de discriminação, ofensa ou violência motivados por crença ou religião.






