Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A cunhã-poranga do Boi Garantido, Isabelle Nogueira, destacou a importância da valorização da cultura amazônica como ferramenta de conscientização ambiental durante participação na Rio Nature & Climate Week, realizada na última quarta-feiram 4/6, no Rio de Janeiro.
Convidada para um dos principais painéis da programação, a amazonense falou sobre identidade, pertencimento, preservação da floresta e a necessidade de ampliar o conhecimento dos brasileiros sobre a Amazônia e seus povos.
A primeira edição do evento reuniu especialistas, cientistas, lideranças indígenas, gestores públicos, empresários e ativistas para debater soluções voltadas às mudanças climáticas, à proteção da biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável.
Realizada no Edifício Touring, no Boulevard Olímpico, a iniciativa antecede discussões que devem ganhar destaque na agenda climática global com a realização da COP30.
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Arte e cultura como agentes de transformação
Isabelle participou do painel “A Arte como Território de Transformação”, que discutiu o papel da cultura, da comunicação e das expressões artísticas na mobilização da sociedade em defesa do meio ambiente.
Durante sua fala, a representante do Festival de Parintins ressaltou que ainda existe um grande desconhecimento sobre a realidade da região Norte, mesmo entre brasileiros.
“Eu fico, às vezes, surpresa de como as pessoas muitas vezes não conhecem a Amazônia que eu vivo”, afirmou.
Amazônia além dos estereótipos
Segundo Isabelle, aspectos que fazem parte da rotina dos amazônidas ainda são vistos com estranhamento por quem vive em outras regiões do país.
“Eu gostaria, de verdade, que o Brasil conhecesse o próprio Brasil. Muitas vezes, o brasileiro não conhece o próprio país”, declarou.
A influenciadora também observou que a região Norte historicamente esteve distante dos grandes centros de decisão política e da construção da identidade nacional. “É como se o Norte fizesse parte de uma região do país que fosse esquecida”, disse.
Cultura e preservação caminham juntas
Ao abordar a defesa da floresta, Isabelle destacou que a preservação ambiental não depende apenas de políticas públicas ou ações de fiscalização, mas também do fortalecimento do vínculo das pessoas com o território e com sua cultura.
“É necessário a gente ter essas conversas, esses palcos como esse aqui, estarem à disposição de amazônidas como eu, nortistas e outras pessoas. Para que todo mundo possa compartilhar as suas vivências e a gente impactar todas as audiências possíveis sobre o quão bela é a nossa Amazônia e o quanto a nossa floresta merece estar de pé”, afirmou.
A cunhã-poranga também defendeu maior protagonismo para as vozes da Amazônia nos debates nacionais e internacionais sobre meio ambiente, destacando a importância dos saberes tradicionais e da ancestralidade dos povos da floresta.
“É importante o brasileiro conhecer seu próprio país, tomar posse do que é nosso, que é a nossa floresta, a nossa Amazônia, as nossas culturas populares, os nossos saberes ancestrais e a nossa própria ancestralidade indígena”, concluiu.






