Jéssica Lacerda – Rede Rios
PARINTINS (AM) – Com experiência na assessoria jurídica e atuação em diferentes setores administrativos do Boi Caprichoso, o advogado Márcio Azedo apresentou suas propostas para disputar a presidência da associação durante entrevista concedida à Rádio Rios Parintins 96,7. Em conversa com o jornalista Keynes Breves, o candidato abordou temas como benefícios aos sócios, mudanças no processo de escolha das toadas e valorização das famílias tradicionais do boi-bumbá azul.
Ao ser questionado sobre o que o motivou a disputar a presidência do Caprichoso, Márcio afirmou que sua ligação com o boi começou ainda na infância, influenciado pela família, que possui tradição na história da agremiação.
Ele lembrou que o tio, Joilton Azevedo, presidiu o Caprichoso por três mandatos, período em que teve a oportunidade de atuar no almoxarifado da associação e, posteriormente, como advogado.
“Em 2014 eu pude voltar já como advogado formado, para a parte burocrática do boi. Eu me especializei muito no estatuto e depois no regulamento do julgamento do Festival. Há uma regra que rege a nossa associação e outra que define de que forma o espetáculo será julgado. Com isso, participei bastante dos bastidores do boi, conheci outros estados para trazer jurados e, mesmo em gestões das quais não participei, sempre fui Caprichoso.”
Escolha do vice
Sobre a escolha do candidato a vice-presidente, Márcio destacou que foi o primeiro entre os concorrentes a anunciar oficialmente um nome para compor a chapa. Segundo ele, a decisão foi construída em diálogo com a tradicional Confraria Calçada da Fama, um dos mais tradicionais grupos de torcedores do Boi Caprichoso.
O candidato explicou que apresentou a proposta durante uma reunião com os integrantes do grupo e que, após as discussões, foi definido o nome de Afrânio Gonçalves, juiz federal aposentado e filho do ex-prefeito Gláucio Bentes Gonçalves, como companheiro de chapa.
Itens coletivos
Márcio também afirmou que o Caprichoso vive um excelente momento artístico, especialmente no segmento das alegorias. Para ele, o principal desafio é fortalecer os itens coletivos, como a vaqueirada, formada por voluntários das comunidades da região de Parintins.
O candidato defendeu que o Caprichoso não precisa de um “salvador”, mas de continuidade administrativa, com ajustes pontuais para manter o equilíbrio do espetáculo.
“Eu sempre faço uma análise das notas. Ando com um mapa das notas e entendi que o Caprichoso precisa de equilíbrio. O que vou colocar em prática é reforçar os itens coletivos. Os vaqueiros são todos voluntários e moram em comunidades como Aninga, Parapanema e Macurany. Vamos encontrar uma forma de fortalecer a vaqueirada para que o brincante não precise faltar aos ensaios por falta de gasolina na moto.”
Benefícios aos sócios
Em relação à valorização dos sócios, Márcio propôs priorizar os associados na compra de ingressos para o Festival de Parintins, garantindo acesso antecipado e pelo mesmo valor antes da abertura das vendas ao público em geral.
Ele também ressaltou que o estatuto da associação impede que um presidente firme contratos que ultrapassem o período do próprio mandato. Segundo o candidato, caso seja eleito, fará uma análise dos contratos vigentes antes de implementar mudanças na comercialização dos ingressos.
Escolha das toadas
Márcio avaliou que o modelo atual de escolha das toadas precisa ser aperfeiçoado para ampliar a participação de novos compositores. Ele reconheceu a importância do trabalho de Adriano Aguiar, responsável por grande parte do álbum deste ano, mas afirmou que a torcida deseja mais espaço para novos talentos.
Além disso, defendeu melhorias no acesso dos compositores às apresentações nas três noites do festival. Segundo ele, é possível ampliar essa participação sem comprometer a organização do espetáculo ou prejudicar o conjunto folclórico, que também é avaliado pelos jurados.
“É impossível imaginar o Caprichoso sem as composições do Adriano Aguiar. Também faço um registro das belas toadas do Hugo Levy. Então vamos mesclar as toadas da galera com as demais para ampliar a participação dos nossos compositores. O Caprichoso também precisa dar um tratamento melhor aos compositores durante o festival, atendendo às demandas deles sem comprometer a apresentação.”
Direito de voto
Sobre o direito de voto dos sócios inadimplentes, Márcio informou que pretende apresentar uma proposta durante a assembleia de prestação de contas para permitir que todos os associados participem das eleições da associação.
Embora reconheça que o estatuto atualmente impeça esse direito, ele argumentou que uma decisão da assembleia pode alterar esse entendimento, beneficiando tanto os candidatos quanto os próprios associados.
Equipe artística
Na área artística, o candidato afirmou que não pretende promover mudanças radicais caso seja eleito. Segundo Márcio, alterar profundamente a equipe artística e musical do Caprichoso seria um retrocesso, principalmente pelo curto intervalo entre a eleição e o início da preparação para o próximo Festival de Parintins.
“Fazer mudanças na parte artística do Caprichoso é regredir. Outra questão é que não existe período de transição. No dia da contabilização dos votos, a chapa vencedora já será empossada. Não há tempo para grandes mudanças.”
“Renovação de Tradição”
Ao explicar o slogan de campanha, “Renovação de Tradição”, Márcio Azedo afirmou que a proposta não significa alterar o espetáculo apresentado na arena, mas renovar a gestão e fortalecer o reconhecimento das famílias tradicionais que ajudaram a construir a história do Boi Caprichoso.
“Quero resgatar alguns benefícios e o reconhecimento das famílias, fazendo com que elas participem mais do boi. Estamos realizando uma campanha diferente, visitando os sócios, olho no olho. É um sonho que a Rua Gomes de Castro tenha seu primeiro presidente”, finalizou.






