Redação Rios
PARINTINS (AM) – O Boi-Bumbá Garantido realizou, nesta sexta-feira, 17/7, a tradicional Matança do Boi, ritual que simboliza o encerramento das festividades da nação vermelha e branca. Mantida pela família Monteverde, a celebração ocorre anualmente após os festejos de Nossa Senhora do Carmo e mantém a tradição da “fuga” do bumbá pelas ruas de Parintins.
Realizado na Baixa da Xanda, berço histórico do Garantido, o ritual centenário reúne a encenação do Auto do Boi, narrativa que conta a história de Mãe Catirina e seu desejo de comer a língua do boi. A versão apresentada pelo bumbá foi reformulada por mestre Lindolfo Monteverde, fundador do Boi Garantido.
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Segundo Magaly Monteverde, neta de Lindolfo, a Matança representa a preservação de memórias, afetos e do legado cultural deixado pelo criador do Boi do Povão, tradição que ultrapassa as três noites do Festival de Parintins.
“Meu avô realizava a Matança todos os anos e convidava amigos e colaboradores do Garantido para participar. Era um momento de agradecimento a todos que ajudavam nas festas de boi pelas ruas de Parintins. Hoje, mantemos esse costume, porque sabemos que o boi não se limita ao Bumbódromo, mas também possui tradições de rua”, afirmou.
Magaly destacou ainda o orgulho da família Monteverde em manter viva uma manifestação que se tornou símbolo de identidade e pertencimento para a nação vermelha e branca.
Durante o ritual, os chifres verdes do bumbá chamam atenção por representarem a fuga do boi pela floresta. De acordo com a tradição oral, as palhas de piririma trançadas nos chifres simbolizam as folhas e cipós que se prendem ao animal enquanto ele tenta escapar dos vaqueiros.
“A palhinha no chifre representa o momento em que o boi foge pela mata. Ele tenta escapar e as folhas acabam se prendendo aos chifres, por isso usamos essa simbologia”, explicou Magaly.
A programação teve início às 18h, no Curral Tradicional do Boi Garantido, na Baixa da Xanda, com atividades culturais, apresentação do boi mirim Tupi, shows de artistas como Alessandra Moreno e Eneas Dias, além das apresentações do grupo Toada de Roda e do levantador de toadas David Assayag. O público também acompanhou a exibição do documentário “Quilombo Baixa da Xanda”, de Cleumara Monteverde.
À noite, por volta das 22h, o Boi Garantido saiu pelas ruas acompanhado da Batucada, trio elétrico e da multidão vermelha e branca para a encenação da fuga e perseguição pelos vaqueiros. O cortejo seguiu até a Paróquia São José Operário, onde o bumbá foi laçado. De volta ao curral, ocorreu o Auto do Boi, com a morte simbólica do animal e a posterior ressuscitação.
Mesmo após o Festival de Parintins, o Boi Garantido mantém vivas as tradições populares que fazem parte de sua história, fortalecendo os laços com a comunidade, brincantes e torcedores e renovando o ciclo cultural do bumbá.
*Com informações da assessoria






