Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A cobrança por ações do Governo do Estado e a denúncia de um cenário crítico na segurança pública marcaram a primeira entrevista oficial do Cabo Gutemberg Oliveira, nesta quarta-feira, 29/4.
À Rádio Rios FM, o novo presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar e Bombeiros Militares (APBMAM) expôs que a categoria enfrenta uma defasagem salarial de quase 25% e está há quatro anos sem receber novos fardamentos.
Gutemberg assumiu o cargo oficialmente na última terça-feira, 28/4 com a missão de representar os militares em suas pautas urgentes.
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Defesa do militar
Como a legislação brasileira impede que militares formem sindicatos, Gutemberg reforçou que a associação assume o papel de escudo jurídico e político da tropa. O presidente explicou que o militar é impedido de fazer críticas diretas ao governador e, por isso, direciona suas demandas para a associação, que atua como porta-voz.
“Os militares eles não podem se sindicalizar, então a única forma de ter alguém defendendo o militar é a associação. Ela defende a categoria”, declarou Gutemberg
Datas-bases atrasadas
O principal ponto de tensão entre a categoria e o governo estadual é a falta de pagamento das revisões salariais anuais, as chamadas datas-bases. Gutemberg denunciou que o estado acumula quatro anos de atrasos, resultando em uma perda real de poder de compra para os policiais e bombeiros.
Ao comentar propostas recentes de reajuste, o cabo declarou que ninguém fará elogios a um percentual de 4,14% quando o atraso acumulado chega a 25%. Para o presidente, esse tipo de medida não é suficiente sequer para que o policial sinta que foi lembrado pela gestão pública.
“Nos últimos anos nós tivemos muitas perdas salariais, falta de pagamento de data-base. Nós temos quatro datas-bases sem serem pagas até hoje, nós temos quase 25% de defasagem salarial. Qualquer representação jamais vai fazer um elogio em uma data-base de 4,14%, sendo que você tem quase 25% atrasado”, disse.
Condições de trabalho
Além dos baixos salários, as condições básicas para o exercício da profissão foram criticadas durante a entrevista.
Gutemberg revelou que os militares estão há quatro anos sem receber auxílio-fardamento e sofrem com a falta de promoções e vagas na carreira. Outro ponto alarmante é o valor destinado à alimentação dos profissionais. Atualmente, o auxílio é de R$ 600 mensais, valor que o presidente classificou como irrisório diante da realidade de mercado.
“O policial entra de serviço, tem que tomar café, almoçar e merendar, ele passa 12 horas de serviço. Esse valor é insuficiente hoje para o policial se alimentar”, afirmou Gutemberg ao detalhar a dificuldade de manter a saúde e o vigor físico durante as escalas de plantão.
Projetos e infraestrutura da APBMAM para 2026
Apesar das dificuldades externas com o governo, a nova gestão da APBMAM tenta mitigar os impactos financeiros por meio de serviços próprios.
A associação já conta com uma academia recém-inaugurada e oferece atendimentos em áreas como fonoaudiologia, psicologia e assistência social.
Um dos projetos mais aguardados é o Hotel de Trânsito na rodovia AM-010, que tem previsão de entrega para junho de 2026 e servirá de apoio aos militares que vêm do interior para a capital.
Mesmo com esses avanços estruturais, Gutemberg Oliveira encerrou a entrevista lembrando que os benefícios internos não substituem o dever do Estado.
Ele pontuou que a associação não tem o “poder da caneta” e que a valorização real depende de uma atitude prática do governo para garantir o fardamento, a alimentação adequada e o pagamento das datas-bases devidas.
O Cabo Gutemberg Oliveira permanecerá à frente da APBMAM pelos próximos quatro anos, após ter sido eleito com mais de mil votos.






