Redação Rios
MANAUS (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) abriu um inquérito para investigar possíveis falhas no atendimento de crianças indígenas Yanomami que sofreram com desnutrição grave em Santa Isabel do Rio Negro. Os casos foram registrados entre 2025 e 2026.
Segundo o MP, o objetivo é descobrir se essas crianças continuaram recebendo acompanhamento médico e nutricional depois que tiveram alta do hospital ou se voltaram para as aldeias sem o tratamento necessário.
Durante a investigação inicial, o Hospital Irmã Edwiges Maria Sikorska informou que atendeu diversas crianças Yanomami com desnutrição grave. Muitas também apresentavam doenças respiratórias, como pneumonia e bronquiolite.
Por causa da gravidade dos casos e da estrutura limitada do hospital, várias crianças precisaram ser transferidas com urgência para hospitais de Manaus.
As informações reunidas pelo Ministério Público indicam que, após o retorno às comunidades indígenas, muitas dessas crianças podem ter ficado sem acompanhamento de saúde e sem monitoramento nutricional. A suspeita é de que elas tenham voltado às mesmas condições de falta de alimentação adequada que causaram o problema inicialmente.
DSEI não respondeu aos pedidos do MP
Outro ponto que chamou a atenção do Ministério Público foi a falta de resposta do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami.
De acordo com o MP, o órgão foi procurado várias vezes, nos meses de janeiro, março e maio deste ano, mas não enviou os documentos e informações solicitados. Por isso, a Promotoria decidiu transformar a investigação em um inquérito civil, que permite uma apuração mais aprofundada.
A promotora de Justiça Taize Moraes Siqueira afirmou que o objetivo é verificar se houve falhas na assistência prestada às crianças e acompanhar as medidas adotadas para evitar que novos casos aconteçam.
O que o MP quer saber
O Ministério Público deu prazo de 15 dias para que o DSEI Yanomami apresente informações como:
- Comprovação de que as crianças continuaram sendo acompanhadas após receberem alta hospitalar;
- Quantos profissionais de saúde atuam na região do Rio Marauiá;
- O plano de combate à desnutrição infantil Yanomami para 2026;
- A disponibilidade de fórmulas nutricionais e outros insumos para o tratamento;
- O cronograma de visitas das equipes de saúde às aldeias.
O Hospital Irmã Edwiges Maria Sikorska e a Secretaria Municipal de Saúde também deverão informar se atenderam novos casos de crianças Yanomami com desnutrição grave ou doenças respiratórias entre março e julho deste ano.
Além disso, terão de explicar se existe um protocolo para comunicar o DSEI sempre que uma criança recebe alta hospitalar, garantindo que o tratamento continue nas aldeias.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) Yanomami, o Conselho Tutelar e o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Santa Isabel do Rio Negro também foram acionados para apresentar informações sobre a situação alimentar das comunidades e o apoio às famílias durante o tratamento das crianças.
Segundo a promotora Taize Siqueira, a intenção é garantir que as crianças não voltem às mesmas condições de vulnerabilidade que levaram ao quadro de desnutrição.
*Com informações da Assessoria






