Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Médicos que atuam no Complexo Hospitalar Zona Norte (CHZN), formado pelo Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz e pela UPA Campos Salles, denunciaram atraso de quase três meses nos salários e cobraram uma resposta do Governo do Amazonas sobre a regularização dos pagamentos.
O governador Roberto Cidade (União Brasil) havia afirmado, no último dia 7 de maio, que os valores atrasados seriam quitados até o dia 13. No entanto, até esta quarta-feira, 27/5, os médicos afirmam que seguem sem receber.
A declaração do governador ocorreu durante agenda no Hospital Adriano Jorge, em Manaus, quando ele informou que o Estado já havia começado a empenhar recursos para regularizar os pagamentos de médicos terceirizados da rede pública. Na ocasião, também afirmou que medidas seriam tomadas contra empresas responsáveis pelos contratos que recebem os repasses, mas não efetuam o pagamento dos profissionais.
De acordo com os relatos dos profissionais da saúde, além do Delphina Aziz e da UPA Campos Salles, médicos que atuam em SPAs e UPAs da capital também enfrentam atrasos salariais.
“Faz quase três meses que nós, médicos do Hospital Delphina Aziz e da UPA Campos Sales, não recebemos pagamentos. Além de nós, há muitos outros médicos que atuam nos SPAs e UPAs da cidade de Manaus com pagamentos atrasados. O atual governador prometeu quitar os pagamentos atrasados até quarta-feira passada, 13/05/2026. Estamos esperando até agora. O ano eleitoral é o pior ano para nós, médicos”, afirmou o médico Israel Tuyuka.
Na tentativa de chamar atenção para a situação, diversos médicos, passaram a comentar nas redes sociais do governador, cobrando posicionamento e regularização dos pagamentos.

Em outro comentário, um profissional destacou que eles seguem atuando em setores de alta complexidade mesmo diante da falta de pagamento.
“UTI, emergência, enfermaria e setores de alta complexidade continuam funcionando às custas de médicos que diariamente assumem decisões críticas, lidam com pacientes graves e carregam uma responsabilidade enorme dentro do hospital”, escreveu.
Os profissionais destacam que o Hospital Delphina Aziz, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), é considerado referência na rede pública e possui a acreditação “ONA Nível 3 – Excelência”, a maior certificação em saúde do país.
Apesar disso, os médicos afirmam que enfrentam desvalorização e falta de suporte financeiro mesmo atuando em uma unidade considerada estratégica para o estado.

Os relatos também apontam rotina de plantões exaustivos e preocupação com os impactos da situação na assistência à população.
“Estamos falando de profissionais que assumem plantões exaustivos, lidam diariamente com pacientes graves e carregam enorme responsabilidade sobre vidas. Respeito à equipe médica também é respeito à saúde pública do Amazonas”, destacaram os profissionais.
Acreditação
Em janeiro deste ano, o Hospital Delphina Aziz, administrado pela Organização Social de Saúde (OSS) Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), teve mantido o selo “ONA Nível 3 – Excelência”, concedido a instituições que demonstram gestão integrada, melhoria contínua dos processos e foco em segurança do paciente.
Segundo o Governo do Amazonas, a certificação é resultado de avaliações rigorosas relacionadas à governança, protocolos assistenciais, gestão de riscos, qualificação das equipes e experiência do usuário.
Sem resposta
A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e o INDSH para solicitar posicionamento sobre os atrasos salariais e questionar se há previsão para regularização dos pagamentos. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.






