Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luis Alberto Saraiva, afirmou que a Prefeitura de Manaus não estaria cumprindo sua parte na atenção básica e rebateu, nesta segunda-feira, 14/9, as críticas feitas pelo prefeito Renato Junior (Avante) à gestão estadual da saúde.
Embora as críticas tenham sido direcionadas ao candidato à reeleição ao Governo do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), a resposta veio do secretário Luis Alberto Saraiva, que passou a rebater os questionamentos e a defender as ações do governo estadual na área da saúde.
Ao comentar a situação da atenção básica na capital, Saraiva citou dados de classificação dos municípios e afirmou que Manaus aparece na 60ª colocação entre os 62 municípios do Amazonas, à frente apenas de Canutama e Japurá.
“Manaus, no último quadrimestre de 2026, está em sexagésimo entre as cidades, à frente só de Canutama e Japurá, ficando atrás de municípios bem mais modestos no contexto de saúde básica, de uma forma geral”, afirmou.
Segundo o secretário, o desempenho da atenção básica na capital contribui para a demanda sobre a rede estadual de saúde.
R$ 383 milhões para empresas médicas
Saraiva também rebateu as críticas de Renato Junior à gestão estadual e afirmou que o Governo do Amazonas já pagou R$ 383 milhões a empresas médicas que atuam em Manaus e no interior.
“Prefeito, já foram pagos pelo atual governo R$ 383 milhões para as empresas médicas da capital e dos municípios”, declarou.
O secretário também contestou a afirmação de que a atual gestão estadual não teria construído novos hospitais ou ampliado a estrutura da saúde pública.
“O senhor falou também, prefeito, que não foram construídos novos hospitais. Mentira, prefeito. Entregamos o Hospital Dia no Complexo Zona Sul, coisa que vocês não conseguiram entregar em três anos”, afirmou.
Embate começou com críticas ao Sisreg
A troca de acusações entre Estado e Prefeitura ganhou força após Roberto Cidade afirmar que mais de 60% das pessoas cadastradas no Sisreg à espera de consultas, exames e cirurgias seriam provenientes de cadastros da Prefeitura de Manaus.
“Mais de 60% de quem está cadastrado no Sisreg, que está precisando de consultas, exames e cirurgias, vem dos cadastros da Prefeitura, porque a Prefeitura não faz a sua parte com a atenção básica. Isso é uma brincadeira”, afirmou Cidade.
Renato Junior rebateu a declaração e afirmou que a organização da fila do Sisreg para procedimentos de média e alta complexidade é responsabilidade do Governo do Amazonas.
“Cidade, deixa eu te lembrar uma coisa que você sabe, mas não tem coragem de assumir. Quem organiza a fila do Sisreg é o governo do Estado, é você”, declarou.
Disputa pela saúde
As declarações fazem parte de uma série de críticas e respostas entre a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas sobre a situação da saúde pública.
Em julho, Roberto Cidade acusou a Prefeitura de contribuir para a superlotação de hospitais estaduais ao direcionar ambulâncias do Samu para determinadas unidades.
Renato Junior rebateu e apontou problemas estruturais no SPA da Galileia, responsabilizando o Governo do Amazonas pela situação da rede.
Na ocasião, a gestora do Samu Manaus, Helen Assunção, também divulgou dados sobre as remoções realizadas pelo serviço para contestar as declarações.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Prefeitura de Manaus e a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) para comentar as declarações do secretário Luis Alberto Saraiva, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.






