Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma lancha que seguia rumo a Parintins, no interior do Amazonas, ficou à deriva nesta segunda-feira, 23/6, durante a viagem de passageiros que vão acompanhar o 58º Festival Folclórico. O trajeto foi marcado por atrasos, falhas mecânicas e desinformação, gerando revolta entre os ocupantes.
Entre os passageiros estava a mãe de Isabelle Nogueira, cunhã-poranga do Boi Garantido. Nas redes sociais, ela relatou o transtorno vivido durante a viagem. “Égua da luta! Será que chego em Parintins antes do Festival? Lancha parando toda hora”, escreveu nos stories.
Profissionais da Rede Rios de Comunicação, que seguiam para cobrir o festival, também estavam a bordo e descreveram as mais de nove horas de caos enfrentadas no rio. Segundo os relatos, o grupo embarcou na primeira lancha rumo a Parintins ainda pela madrugada, mas a embarcação apresentou problema em uma mangueira e precisou parar.
“Aguardamos por cerca de 30 minutos até sermos resgatados por uma segunda lancha que estava passando. No entanto, após 15 minutos de navegação, essa lancha também quebrou por excesso de peso. Ficamos mais de seis horas à deriva”, informou Gabriel Lopes, um dos jornalistas da equipe.
No total, os passageiros passaram aproximadamente nove horas em deslocamento irregular, entre paradas, panes e esperas. Ainda segundo os profissionais da imprensa, após horas de espera, uma terceira lancha os levou de volta em direção a Manaus, para que pudessem embarcar em uma quarta lancha. Essa última, ao perceber a situação, retornou para buscá-los no meio do trajeto.
“A quarta lancha se adiantou, veio até nós, fizemos a troca no meio do rio e agora, finalmente, estamos a caminho de Parintins”, afirmou Jéssica Lacerda, da Rede Rios.
Outros relatos também destacaram o clima de tensão. Pedro, morador do bairro Jorge Teixeira, na zona Leste de Manaus, disse estar completamente perdido. “Vim pra Parintins com o intuito de assistir ao Festival. Estou aqui no meio do rio, não sei nem onde estou, não sei que rio é esse. Só sei que estou perdido”, afirmou.
Ele também criticou a falta de clareza nas informações. “Falaram que vinha uma lancha, depois disseram que não era mais ela, aí estavam esperando outra, que também não veio. Um fala uma coisa, outro fala outra, e eu não entendi mais porra nenhuma”, desabafou.
A reportagem contatou tanto os donos da embarcação quanto o 9º Distrito Naval da Marinha do Brasil a fim de obter um posicionamento sobre a ocorrência, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.






