Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nessa segunda-feira, 8/9, que uma série de pressões políticas, ambientais e internacionais tem sido a principal causa do atraso na obra da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
Apesar das divergências, Lula assegurou que a estrada “será feita” e que um acordo definitivo deve ser anunciado ainda neste mês.
“Isso é uma briga eterna. […] É uma questão ambiental muito séria. É uma questão de pressão internacional. Às vezes é uma pressa muito grande dos Estados. Às vezes as pessoas jogam a culpa em cima da Marina [Silva, mas ela nunca disse que é proibido fazer. O que ela quer discutir é como fazer as coisas”, declarou em entrevista a Rede Amazônica.
Lula destacou que a execução da obra exige responsabilidade compartilhada entre União, governos estaduais e prefeituras, de modo a evitar impactos irreversíveis na floresta. “A gente não pode fazer uma rodovia e dois meses depois estar o desmatamento, o grileiro, criando gado onde não pode ou plantando soja onde não deve”, afirmou.
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Único caminho por terra que liga o Amazonas ao resto do Brasil, o cenário de precariedade é visto principalmente no chamado “Trecho do Meio” da BR-319. O presidente garantiu que o trecho terá monitoramento conjunto para que a floresta permaneça preservada. Apesar das dificuldades, Lula buscou ser categórico ao assegurar a repavimentação da BR-319.
“Eu posso te garantir hoje, olhando bem no teu rosto, que nós vamos fazer a BR-319. E vamos fazer de comum acordo com os ambientalistas, com aqueles que precisam da estrada e, sobretudo, para atender duas capitais que não podem ficar isoladas, como ficam Porto Velho e Manaus”, concluiu.
Acordo interministerial
Um acordo para viabilizar a pavimentação da BR- 319 através da elaboração de um plano socioambiental foi acordado pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o ministro dos Transportes, Renan Filho. O conjunto de medidas batizado cria um cronograma de ações de proteção ambiental e de desenvolvimento para moradores do entorno.
O plano prevê a contratação de uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), que ressalta as preocupações socioambientais nos arredores da rodovia federal. A estatal Infra S.A., ligada ao Ministério dos Transportes, foi encarregada da contratação de uma consultoria independente para acompanhar o processo.






