Redação Rios
MANAUS (AM) – A fé, a memória e a tradição voltaram a tomar as ruas de Parintins na noite de quinta-feira, 12/6, durante a realização da tradicional Ladainha de Santo Antônio, promovida pelo Boi Garantido.
O evento reuniu moradores, torcedores e famílias no antigo curral da Baixa da Xanda, um berço histórico do boi vermelho e branco, reafirmando um dos costumes mais antigos da agremiação.
A celebração, realizada anualmente na véspera do Dia de Santo Antônio, preserva uma promessa feita pelo fundador do Garantido, Lindolfo Monteverde, e atravessa gerações desde a década de 1940.
Entre os cânticos, orações e velas acesas, os participantes percorreram as ruas do Quilombo da Baixa, e renovaram a ligação entre a cultura popular e a religiosidade que fazem parte da identidade do Boi do Povão.



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Um dos momentos mais aguardados da programação foi a tradicional entrega de rosas. Durante o cortejo, integrantes do Garantido visitaram residências e distribuíram flores a mulheres e casais, outro simbolismo especialmente por coincidir com o Dia dos Namorados.
A cerimônia também levou a marcante reza da ladainha na pequena capela construída no antigo curral. A celebração foi conduzida por Maria do Carmo Monteverde, de 89 anos, filha de Lindolfo Monteverde e guardiã da tradição familiar.
Emocionada, ela relembrou a origem da devoção aos santos juninos e a importância de manter vivo o legado deixado pelo fundador do Garantido.
“É uma alegria muito grande. Eu me lembro de tudo o que vivi quando era criança. Em 1943, com apenas seis anos, vi o Garantido começar a sair pelas ruas cumprindo essa promessa que virou uma linda tradição”, recordou.
Para o presidente do Boi Garantido, Fred Goes, a Ladainha é a prova de que a história do Boi do Povão vai além da arena.
“A Ladainha de Santo Antônio é o Garantido de verdade, de raiz. É a promessa do nosso fundador Lindolfo ganhando as ruas, é o povo rezando junto, é a fé que sustenta nosso Boi há mais de 80 anos. Preservar essa tradição é honrar cada brincante que veio antes de nós. No Quilombo da Baixa, a gente não só lembra o passado. A gente reafirma quem somos e de onde viemos pra chegar forte na arena”, afirmou o presidente.
Após a ladainha, os participantes compartilharam comidas típicas de arraial junino, como o tradicional mungunzá.
A cada ano, a manifestação reforça os laços entre passado e presente e mantém viva a herança cultural construída por gerações de brincantes e apaixonados pelo boi encarnado.
*Com informações da assessoria






