Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A publicitária Tássia Camila da Silva Batista, de 28 anos, que faz tratamento contra um câncer agressivo que exige cuidados imediatos e de alto custo, denuncia estar há dois meses enfrentando atrasos nas sessões de quimioterapia na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).
De acordo com a denúncia apurada pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, as sessões de quimioterapia no FCecon estão sendo canceladas sem aviso prévio aos pacientes, remarcadas para depois de três meses ou novamente enviadas para a fila do Sisreg. Isso provoca atrasos nos ciclos de prescrição e dificulta o tratamento.
“Sempre é remarcado, e assim as quimioterapias são adiadas. Por causa disso, os ciclos de prescrição são quebrados. Eles não dão informações de forma esclarecida, isso é um direito de paciente oncológico. Fora que eles não encaminham para psicólogo e nutricionista, a não ser que os pacientes corram atrás, e muitos não têm essa informação”, diz Tássia.

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Ainda segundo a denúncia, outros pacientes estão passando pela mesma situação, com cancelamentos de consultas e ausência de respostas para novos agendamentos. Diversas mensagens são enviadas ao setor de atendimento da instituição, mas não há retorno.
“Nos deixou pra morrer, mas a responsabilidade da instituição em prestar um serviço minimamente humano é irrefutável. Até quando nós vamos pedir o mínimo? Será necessário ação judicial coletiva? Ou manifestação na frente da Assembleia, dos gabinetes, do Ministério Público? Paciente oncológico merece dignidade”, afirmou Tássia.

A publicitária destaca que seu atendimento deveria ocorrer em intervalos de 21 dias, mas está atrasado há dois meses. Uma consulta estava prevista para segunda-feira, 24/11, porém foi cancelada e, até o momento, não houve reagendamento.
“Minha quimioterapia atrasou por causa de um tipo de catéter. Isso é de conhecimento da minha prescrição médica. Eu preciso fazer minhas quimioterapias consecutivas, então isso era para ter sido previsto pelos médicos, e não foi feito o pedido nem a implantação desse porte. Eu precisei interromper a quimioterapia por uma questão de negligência”, disse ela.
A jovem está em tratamento contra um câncer agressivo desde agosto deste ano e convive com dores intensas, que só cessam com o uso de morfina e outros opioides. Menos de um mês depois, uma nova ressonância revelou a presença de diversos nódulos, incluindo um que já compromete o baço.
“Meu laudo pede urgência. Meu caso é de metástase. Eu corro risco de morte”, explicou ela.
Resposta
Procurada pela reportagem, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) informou que a paciente Tássia Camila possui quimioterapia programada para esta segunda-feira, 24/11, e que a paciente vem recebendo a devida assistência para seu caso.
“A fundação esclarece que a paciente não realizou a quimioterapia na semana anterior, pois havia implantado um cateter central para receber a medicação, um procedimento cirúrgico que necessita de um prazo de até 7 dias para cicatrização. A paciente foi orientada sobre o procedimento e prazos. A FCecon esclarece, ainda, que a paciente possui duas faltas em consulta médica com a oncologia clínica nos dias 18 e 20 de novembro e que o hospital tentou entrar em contato com a mesma na quarta-feira (19/11), por meio de ligação telefônica, porém a ligação não foi atendida”, disse em nota.
Operação Metástase
Em outubro deste ano, três servidores públicos ligados a diferentes unidades de saúde do Amazonas foram presos durante a Operação Metástase, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
Entre os detidos estão duas diretoras de maternidades e um gerente financeiro da Fundação Cecon, todos suspeitos de envolvimento em um esquema de fraude em licitações, pagamento de propinas e desvio de recursos públicos da saúde.

A operação foi realizada pela 77ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).






