Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Governo Federal mantém 253 profissionais mobilizados no Amazonas para combater incêndios florestais por meio da Operação Amazonas 2026, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com atuação do Ibama, por meio do Prevfogo. O balanço acumulado registra 361 incêndios extintos, 749,2 horas de voo e 2,69 milhões de litros de água lançados em operações aéreas.
Apesar do reforço das equipes e dos equipamentos, a situação ambiental continua preocupante. Na quarta-feira, 28/10, Manaus voltou a liderar o ranking de cidades com a pior qualidade do ar no Brasil, segundo a plataforma IQAir, que registrou Índice de Qualidade do Ar (AQI) de 152, considerado prejudicial principalmente para grupos sensíveis.
A operação federal reúne brigadistas, equipes de monitoramento, aeronaves, embarcações e agentes de fiscalização ambiental. Conforme o levantamento, 91 focos de calor permaneciam ativos nos setores monitorados: 54 na região de Andirá-Marau e Parintins, 30 em Autazes e sete em Itacoatiara.
Combate aos incêndios chega a terras indígenas e áreas protegidas
Os profissionais estão distribuídos em diferentes frentes de atuação, incluindo terras indígenas, assentamentos rurais e unidades de conservação. Entre os setores com equipes mobilizadas estão Andirá-Marau, Autazes, Coatá-Laranjal, Careiro da Várzea e Itacoatiara.
No Projeto de Assentamento Vila Amazônia, as equipes atuam no combate aos incêndios. Já na Terra Indígena São Félix, em Autazes, as atividades incluem monitoramento, extinção de focos e acompanhamento de queimas de roça.
Na Terra Indígena Sissaíma, em Careiro da Várzea, os trabalhos envolvem o combate ao fogo e orientações preventivas. Em Coatá-Laranjal, as ações incluem vigilância, extinção de incêndios e atividades relacionadas ao licenciamento de queimas no Projeto de Assentamento Axinim, além da manutenção de um viveiro no Projeto de Assentamento Curupira.
Em Itacoatiara, o planejamento prevê monitoramento e combate aos incêndios no Refúgio de Vida Silvestre Sauim-de-Coleira, além de acompanhamento e agendamento de queimas de roça na Terra Indígena Paraná do Arauató.
A estrutura operacional conta com 51 veículos e aeronaves, além de embarcações e equipamentos de apoio. Entre os recursos relacionados no boletim estão seis aviões Air Tractor, quatro helicópteros, um avião Caravan, quatro embarcações, quatro caminhões-pipa, quatro caminhões-tanque para combustível de aviação e 19 viaturas com tração 4×4.
Aeronaves lançam quase 2,7 milhões de litros de água
O apoio aéreo é uma das principais estratégias para conter o avanço das chamas em áreas de difícil acesso. De acordo com o balanço, as operações acumulam 796 lançamentos de água, totalizando 2.694.800 litros.
O documento também destaca a participação do avião KC-390, da Força Aérea Brasileira, responsável pelo lançamento de 780 mil litros de água no histórico da operação.
A atuação das aeronaves complementa o trabalho das equipes terrestres, especialmente em regiões de vegetação densa e com dificuldades de deslocamento. A logística inclui o transporte de brigadistas, equipamentos e combustível, além do apoio às ações de monitoramento.
Fiscalização ambiental registra mais de R$ 3,1 milhões em multas
Além do combate direto aos incêndios, o Ibama mantém operações de fiscalização para identificar e responsabilizar os envolvidos em infrações ambientais.
No período de 12 a 23 de outubro, foram registrados 26 autos de infração, que somam R$ 3.179.004,50 em multas. O balanço também contabiliza 25 termos de embargo, abrangendo 340,35 hectares, 14 apreensões com valor estimado em R$ 305 mil e uma notificação.
As medidas integram as ações de enfrentamento aos incêndios e de prevenção de novos focos no estado.
Qualidade do ar volta a preocupar em Manaus
Mesmo com o trabalho de combate às queimadas, a fumaça voltou a afetar a qualidade do ar na capital amazonense. Na quarta-feira, 28, a IQAir registrou AQI de 152 em Manaus, faixa considerada prejudicial à saúde de grupos sensíveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
A plataforma também apontou concentração de 54,8 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino, conhecido como MP2,5. Esse poluente é formado por partículas muito pequenas, capazes de penetrar profundamente nos pulmões.
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), identificou concentrações ainda mais elevadas em pontos da cidade. Nas regiões de Petrópolis e Praça 14 de Janeiro, a medição chegou a 89,0 µg/m³. Já nos bairros Colônia Oliveira Machado, Educandos e Vila Buriti, o registro foi de 79,8 µg/m³.
A exposição à fumaça e às partículas finas pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares, sobretudo entre pessoas mais vulneráveis. Os dados reforçam a preocupação com os efeitos das queimadas sobre a saúde pública, além dos danos ambientais.
TCE-AM admite pedido para fiscalizar ações da Prefeitura
Diante dos episódios recorrentes de poluição, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) admitiu uma representação que solicita a fiscalização das medidas adotadas pela Prefeitura de Manaus para prevenir e enfrentar os impactos da estiagem, das queimadas e da poluição atmosférica em 2026.
O pedido foi apresentado pelo vereador Rodrigo Guedes (Republicanos). A decisão foi assinada em 26 de outubro e publicada no Diário Oficial Eletrônico do tribunal também na quarta-feira, 28.
A representação envolve secretarias municipais das áreas ambiental, de saúde, educação e defesa civil. Entre os pontos que o vereador pede para verificar estão a integração entre os órgãos, os protocolos adotados durante episódios críticos de poluição, a comunicação de riscos à população e as medidas de proteção aos grupos vulneráveis.
O documento cita registros de poluição ocorridos em setembro e outubro. Em setembro, Manaus chegou a apresentar concentração média de MP2,5 de 188,5 µg/m³, classificada como péssima.
Outro dado mencionado é o registro de 644 focos de calor no Amazonas entre 1º e 7 de outubro, aumento de 132,5% em relação ao mesmo período de 2025.
A representação também questiona diferenças entre medições divulgadas em 8 de outubro. Enquanto uma estação da rede SELVA registrou 140,5 µg/m³ em um ponto da capital, a Prefeitura informou média de 73,65 µg/m³.
A admissão da representação permite o andamento da análise pelo tribunal e não significa, por si só, que irregularidades tenham sido comprovadas.






