Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As ruínas da obra da Cidade Universitária, em Iranduba (a 34 km de Manaus), voltaram ao debate público após o senador e pré-candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), reafirmar que concluirá o projeto caso seja eleito governador.
Em entrevista a uma rádio local, Aziz afirmou que pretende retomar e concluir as obras da Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Segundo ele, o projeto prevê a construção de um complexo com hospedagem para estudantes do interior, além de espaços comerciais e turísticos. “O local terá dois mil apartamentos. Tinha dinheiro e não concluíram as obras por maldade. Penso nas gerações futuras”, declarou.
A declaração reacende discussões sobre investimentos e o abandono de projetos no Amazonas. O Portal RIOS DE NOTÍCIAS foi ao Centro de Manaus para ouvir a população sobre o tema.
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Indignação e promessas não cumpridas
O ambulante Sidney Guimarães afirmou sentir indignação ao ver a obra da Cidade Universitária abandonada, destacando que se trata de dinheiro público parado há anos. Ele questiona a promessa do senador de retomar o projeto, afirmando que, se houvesse interesse real, a obra já teria sido concluída em gestões anteriores.
“Eu passei lá um tempo desses, parei para dar uma olhada e o que eu senti foi muita indignação, sabe? Porque é dinheiro público, um dinheiro que está lá há tanto tempo parado. E, se ele tivesse realmente interesse em fazer aquele esqueleto, já teria feito. Quando não era governador, era senador, e todo esse tempo esteve ao lado do governo”, comentou.

Sidney também criticou o que considera uso político do tema em período eleitoral e disse não acreditar no cumprimento da promessa. Ele afirmou que não votaria no senador e fez um apelo para que a população, especialmente do interior, repense suas escolhas nas eleições.
“Quantos milhões foram gastos e poderiam ter feito várias escolas públicas, poderiam ter feito vários hospitais, entendeu? É isso. O Brasil precisa passar a limpo, e vamos aproveitar este ano, que é ano de eleição, com esse monte de palhaçada em Brasília. Hoje o Brasil está pegando fogo. Por quê? Porque está todo mundo envolvido em ladroagem, roubalheira e corrupção”, criticou Sidney.
‘Para onde foi o dinheiro?’
Já Amanda Marielly, profissional de marketing, afirmou que esteve no local da Cidade Universitária e encontrou a obra abandonada. Ela questiona os recursos investidos, lembra os impactos na região e diz que promessas antigas não garantem seu voto.
“Então, para onde foi o dinheiro? Porque existe todo um contexto de arrecadação, além das pessoas que tiveram que sair de lá, né? Os moradores de Iranduba. E eu acho que, se não foi feito antes, não será feito agora. Então, eu não votaria, porque acredito que, se a gente viver de promessas antigas, não é digno ocupar um lugar onde outra pessoa poderia fazer melhor”, relatou.

Anúncio da obra e investimentos
A Cidade Universitária foi anunciada ainda durante o governo de Omar Aziz, com orçamento inicial de R$ 300 milhões. As obras chegaram a ser iniciadas, mas foram paralisadas após sua saída, em 2014, mesmo com cerca de R$ 100 milhões já investidos.
Em 2018, o custo estimado para a conclusão do complexo subiu para R$ 700 milhões. À época, o senador afirmou que obras desse porte não se finalizam em apenas três anos e que a continuidade caberia aos governos seguintes. Seu sucessor, José Melo, atribuiu a paralisação à falta de recursos financeiros.
A estrada de acesso ao local foi construída entre 2013 e 2015, ao custo de R$ 44,5 milhões, resultando em uma via de grande porte que leva a um canteiro de obras inacabado.
Em 2017, a situação se agravou após decisão judicial que suspendeu qualquer intervenção no local por riscos ambientais. Segundo o Ministério Público Federal, o licenciamento ambiental do projeto era insuficiente.






