Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Centro Cultural Palácio Rio Negro, no Centro de Manaus, recebeu na noite desta segunda-feira, 8/6, a abertura da exposição “Encontro das Águas: Memórias que Convergem em Resistência que Transforma”, além do pré-lançamento da Semana da Amazônia em Convergência 2026. O evento reuniu lideranças comunitárias, artistas, pesquisadores, estudantes e representantes de diversas organizações ligadas à valorização da cultura amazônica.
A mostra nasce com o propósito de ampliar o acesso das comunidades aos espaços culturais da cidade e dar visibilidade às memórias, saberes e cosmovisões construídos ao longo de gerações por moradores de territórios como Puraquequara, Colônia Antônio Aleixo, Jatuarana, Catalão, Terra Nova, Nova Vila e Janauari. Mais do que retratar paisagens, a exposição evidencia histórias coletivas marcadas pela resistência, pela organização comunitária e pela construção de identidades profundamente ligadas aos rios e à floresta.
Apesar da forte chuva que atingiu Manaus durante a abertura, o público compareceu ao evento. Para o ativista e líder do Converge Amazônia , Matheus da Silva Amazônia, o momento simbolizou a força da convergência entre pessoas, territórios e memórias.

“Vivemos uma noite especial. A chuva caiu sobre Manaus, mas não foi capaz de interromper os caminhos de quem acredita na força da cultura, da memória e dos territórios amazônicos. Pelo contrário, parecia lembrar que toda grande história na Amazônia nasce da relação entre as pessoas e as águas”, destacou Matheus Amazônia.
Entre os participantes estavam jovens, lideranças comunitárias dos bairros e comunidades do Jatuarana, Bela Vista e Puraquequara, além das poetisas ribeirinhas e fotógrafas comunitárias Aldeneide Lima, Tayná Leite, Lúcia Soares e Caroline Brito. Também participaram autores de imagens selecionadas no concurso fotográfico “Olhares das Comunidades”.
Resultado de um amplo processo colaborativo, a exposição reúne fotografias produzidas por moradores da região, registros históricos de organizações comunitárias e obras dos fotógrafos Valter Calheiros, Eliton Gomes, Ricardo Balby, Higor Fernandes e Ana Paula Bias. O conjunto de imagens propõe uma narrativa construída a partir dos próprios territórios, revelando patrimônios culturais, trajetórias humanas e modos de vida frequentemente ausentes das representações convencionais da Amazônia.
Segundo Matheus, a exposição amplia o alcance do movimento em defesa do Encontro das Águas, transformando-o em uma experiência artística e educativa.

“O Encontro das Águas continua correndo. Agora também como fotografia, poesia, memória e compromisso com o futuro”, afirmou.
A mostra também presta homenagem às mobilizações sociais que contribuíram para a preservação do Encontro das Águas, especialmente ao movimento SOS Encontro das Águas, que reuniu comunidades, pesquisadores, artistas e instituições na defesa do território. O legado do poeta amazonense Thiago de Mello, reconhecido por sua atuação em favor da Amazônia e de seus povos, também é lembrado ao longo da exposição.
Encontro das Águas
Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, o Encontro das Águas é apresentado como um símbolo da convergência entre natureza, cultura e participação social. A exposição convida o público a enxergar esse território para além de sua beleza natural, reconhecendo-o como espaço de diversidade cultural, memória coletiva, cidadania, diplomacia popular e construção de futuros sustentáveis para a Amazônia.
Mais do que uma mostra fotográfica, a iniciativa propõe uma reflexão sobre pertencimento, identidade e o papel das comunidades na preservação dos patrimônios materiais e imateriais da região, reafirmando que a maior riqueza da Amazônia está nas pessoas que transformam desafios em resistência e esperança.






