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Ex-servidores da AADESAM cobram FGTS e direitos trabalhistas após demissões

As denúncias têm origem nas demissões realizadas no início de julho

28 de setembro de 2026
em Cidades
Tempo de leitura: 12 min
sede-adesam

Sede da Aadesam (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

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Caio Silva – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – Ex-funcionários da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) afirmam que ainda aguardam a regularização de direitos trabalhistas após as demissões realizadas em julho deste ano.

Entre as principais cobranças estão depósitos atrasados do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), multa rescisória de 40%, valores de rescisão e repasses de parcelas de empréstimos descontadas dos salários, mas que, segundo os trabalhadores, não teriam sido repassadas às instituições financeiras.

As demissões provocaram uma manifestação de ex-funcionários em frente à sede da AADESAM, no Centro de Manaus, no início de julho. Na ocasião, os trabalhadores cobraram explicações sobre os desligamentos e a regularização dos direitos trabalhistas.

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Trabalhador relata FGTS atrasado

Entre os ex-funcionários está Fábio Félix dos Santos, que afirma ter sido desligado em 6 de julho. Segundo ele, a convocação para comparecer à AADESAM ocorreu por meio de uma mensagem de WhatsApp, sem informar que se tratava de um processo de demissão.

Fábio afirma que, ao chegar à agência, recebeu um documento com data anterior ao dia em que compareceu ao local e relata ter sido pressionado a assiná-lo.

“Fui desligado no dia 06/07/26, sendo que recebi uma mensagem via WhatsApp pedindo que comparecesse na AADESAM, mas não tinha nenhuma informação de demissão e ainda tive que assinar a data retroativa, sem motivos aparentes para a demissão”, afirma.

Esse fato ocorreu no dia da demissão (Foto: Arquivo Pessoal)

O ex-funcionário também relata pendências relacionadas ao FGTS e a empréstimos consignados.

“Até agora não foram pagas as parcelas do fundo de garantia que estão atrasadas e nem os 40% do FGTS. Ainda descontaram empréstimos na rescisão, sendo que nem as parcelas eles estavam repassando ao banco responsável pelo empréstimo”, relata.

Segundo Fábio, os trabalhadores também não receberam informações claras sobre os prazos para pagamento das verbas rescisórias.

Ex-funcionário afirma ter 13 parcelas de FGTS pendentes

Wellington Nobre afirma que foi demitido sem receber a multa de 40% e que havia 13 parcelas do FGTS sem depósito. “Não me pagaram a multa do FGTS, os atrasados, que são 13 parcelas que eles não tinham depositado”, afirma.

Ele relata que procurou repetidamente a AADESAM e a Caixa Econômica Federal para verificar a situação. Segundo Wellington, a cada tentativa recebia uma nova previsão para a regularização dos valores.

“Eles diziam: ‘vem terça-feira, vai estar depositado’. Eu ia na Caixa Econômica e não estava. Depois diziam que sexta-feira estava na conta. Eu ia sexta-feira e não estava. Depois diziam segunda-feira”, relata.

Diante da falta de solução, ele afirma que procurou uma advogada e ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho.

Wellington também afirma que a demissão ocorreu enquanto se preparava para uma cirurgia. Segundo ele, ainda faltavam consultas e avaliações médicas para concluir o processo.

“Eu ia fazer uma cirurgia. Já estava tudo certo para eu fazer a cirurgia. Só faltava o cardiologista e o risco cirúrgico. Aí eu fui demitido, sem direito a fazer exame demissional”, relata.

Ex-servidora relata demissão e cobrança por FGTS

Uma ex-funcionária de uma unidade do Restaurante Popular Prato Cheio Braga Mendes, que preferiu não se identificar, também afirma ter sido surpreendida pelo desligamento.

Segundo ela, a unidade atendia cerca de 400 pessoas por dia e funcionava com apenas três trabalhadoras. A ex-funcionária afirma ainda que o FGTS não vinha sendo depositado regularmente.

De acordo com a ex-servidora, ela não consegue sacar, pois a AADESAM está devendo e teria deixado de depositar há alguns meses – Foto: Arquivo Pessoal
De acordo com a ex-servidora, ela não consegue sacar, pois a AADESAM está devendo e teria deixado de depositar há alguns meses – Foto: Arquivo Pessoal
De acordo com a ex-servidora, ela não consegue sacar, pois a AADESAM está devendo e teria deixado de depositar há alguns meses – Foto: Arquivo Pessoal

Ela relata que recebeu uma mensagem na noite de 2 de julho para comparecer à AADESAM no dia seguinte. Como uma das funcionárias estava doente, afirma que não conseguiu deixar a unidade.

Segundo a ex-funcionária, somente posteriormente soube que a convocação estava relacionada às demissões.

“Até esse momento, não sabíamos sobre demissão. Achei que fosse algo referente à frequência ou mesmo sobre o atraso de pagamento de férias e depósito do FGTS. Eu já havia sinalizado isso para o RH algumas vezes em semanas anteriores”, relata.

Trabalhadora relata situação na sede da AADESAM

A ex-funcionária afirma que compareceu à sede da agência em 6 de julho e encontrou outros trabalhadores em situação semelhante.

Segundo ela, alguns funcionários foram orientados a deixar a recepção enquanto aguardavam informações sobre os desligamentos.

“Me deparei com uma cena de terror, funcionários sendo convidados a se retirar da recepção porque não queriam assinar um documento de demissão com data do dia 03/07”, conta.

Ela afirma ainda que recebeu um documento de desligamento com data retroativa e decidiu não assinar. “Quando o documento chegou, era a demissão com data retroativa. Eu, assim como os demais, me recusei a assinar”, relata.

A ex-funcionária também afirma que trabalhadores receberam informações divergentes sobre o pagamento das verbas rescisórias.

Trabalhadores recorrem ao Ministério Público e à Justiça

Diante das pendências, a ex-funcionária afirma que um grupo de trabalhadores procurou o Ministério Público e também recorreu à Justiça.

“Praticamente imploramos por respeito, por respostas, e nada tivemos. Então decidimos juntos ir para o Ministério Público. Fomos para lá, fomos bem recebidos e demos entrada em uma ação coletiva”, relata.

Ela afirma que o FGTS continua pendente e que os trabalhadores estariam sendo direcionados entre a AADESAM e a Caixa Econômica Federal em busca de uma solução.

“O FGTS não foi pago, está retido. A Caixa manda a gente ir na AADESAM e a AADESAM manda a gente ir para a Caixa e ninguém resolve nada”, afirma.

Ex-funcionária também ingressa na Justiça

Maria Sandra Cardoso afirma que foi desligada em 3 de julho após receber uma mensagem pelo WhatsApp para comparecer ao setor de Recursos Humanos da AADESAM.

Segundo ela, não foi apresentada justificativa para a demissão. “Desligada em 03.07.2026. Sem nenhuma justificativa. Mensagem via WhatsApp para comparecer ao RH da AADESAM”, relata.

Maria Sandra afirma que nenhum mês do FGTS foi depositado e que também não recebeu a multa de 40%. “Não foi pago nenhum mês do meu FGTS e nem a multa dos 40%”, afirma.

Ela diz que procurou a agência quatro vezes e recebeu inicialmente a informação de que os valores seriam regularizados em poucos dias. Depois, segundo ela, foi informada de que não havia previsão.

“Até a segunda ida, falavam que iam depositar o FGTS em três dias ou uma semana no máximo. Nas últimas vezes, falaram que estava sem previsão”, conta.

No dia 23 de setembro, Maria Sandra afirma ter ingressado com uma ação na Justiça do Trabalho para cobrar os valores. “Hoje, 23.09.2026, dei entrada na Justiça do Trabalho para receber meu FGTS. Ainda vão marcar a data da audiência”, afirma.

A ex-funcionária também relata dificuldades financeiras após a demissão. “Eu pago aluguel, água e luz. Também tenho que me alimentar e pagar transporte. Então, fui muito prejudicada por uma demissão inesperada e desumana”, afirma.

Ela também diz ter ficado emocionalmente abalada com a forma como recebeu a notícia do desligamento.

“Fiquei psicologicamente abalada. Fui pega de surpresa após meu horário de trabalho. Mandaram WhatsApp às 19h de sexta-feira, 03.07.2026. Fiquei noites sem dormir. Trabalho porque preciso”, relata.

MPT convoca trabalhadores dispensados

O Ministério Público do Trabalho no Amazonas e Roraima (MPT-AM/RR) convocou trabalhadores e trabalhadoras da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural, Social e Ambiental (Aadesam) dispensados a partir de julho de 2026 para prestar informações relacionadas ao processo judicial ACPCiv 0000914-80.2026.5.11.0015.

Os trabalhadores convocados devem consultar a lista nominal disponibilizada pela Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT11). Caso estejam relacionados, deverão responder às perguntas apresentadas pelo MPT e encaminhar documentos que considerem pertinentes.

As informações devem ser apresentadas até a próxima sexta-feira, 2/10, pelo próprio trabalhador, por meio de peticionamento eletrônico no PGEA 20.02.1100.0000582/2026-93, disponível no site do protocolo administrativo do MPT.

Posicionamento

O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a AADESAM e com o Governo do Amazonas para obter esclarecimentos sobre as denúncias dos ex-funcionários, incluindo as pendências relacionadas ao FGTS, verbas rescisórias e empréstimos descontados dos trabalhadores.

Até a publicação, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Tags: aadesamAmazonasdireitos trabalhistasex-servidorestrabalhadores

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