Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em meio às cobranças de entidades médicas por pagamentos atrasados na rede estadual de saúde, o governador e pré-candidato à reeleição Roberto Cidade (União Brasil) publicou, nesta segunda-feira, 10/8, uma foto ao lado do presidente Lula da Silva (PT) e de ministros do Governo Federal, destacando a busca por recursos para fortalecer a saúde e enfrentar a estiagem no Amazonas.
“Trabalho e diálogo para cuidar do Amazonas e da nossa gente”, escreveu Cidade na publicação.
Segundo o governador, a reunião com Lula e ministros teve como uma das principais pautas o fortalecimento da saúde pública no Estado. Cidade afirmou que o governo busca ampliar os repasses federais para garantir mais estrutura e atendimento à população.
A declaração ocorre após semanas de pressão de entidades médicas pela regularização dos pagamentos a profissionais que atuam na rede estadual.
Cobranças das entidades médicas
No dia 4 de agosto, o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) voltou a cobrar uma reunião com o governador para discutir os valores pendentes. A mobilização também recebeu apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Federação Médica Brasileira (FMB) e do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM).
As entidades defenderam a criação de um cronograma para quitar os valores em atraso e demonstraram preocupação com a falta de previsibilidade financeira enfrentada por médicos contratados por empresas prestadoras de serviços.
Segundo o Simeam, alguns profissionais acumulavam pagamentos pendentes desde 2025. A entidade afirmou que a situação poderia comprometer as condições de trabalho e a continuidade da assistência nas unidades de saúde.
R$ 84 milhões anunciados geraram questionamentos
A crise ganhou ainda mais repercussão após o Governo do Amazonas anunciar, em 31 de julho, o pagamento de R$ 84 milhões destinados aos médicos da rede estadual. O anúncio foi feito por Roberto Cidade nas redes sociais.
Documentos da Secretaria de Estado de Saúde analisados pela reportagem, porém, mostram que R$ 66,9 milhões foram destinados a contratos de gestão hospitalar com Organizações Sociais.
Esses contratos incluem despesas com medicamentos, insumos, fornecedores, contratação de profissionais e outros custos necessários para o funcionamento das unidades.
Os documentos não detalham quanto do valor foi efetivamente utilizado para quitar honorários médicos, nem apresentam a divisão dos recursos entre as diferentes despesas previstas nos contratos.
Governo promete mais R$ 40 milhões
Em reunião posterior com as entidades médicas, Cidade afirmou que o Estado estava cumprindo suas obrigações financeiras e que o objetivo era garantir segurança aos profissionais e a continuidade da assistência à população.
Segundo o governador, mais de R$ 40 milhões seriam repassados às empresas médicas até sexta-feira, 8.
O desafio apontado pelas entidades, no entanto, é garantir que os pagamentos sejam mantidos de forma regular, evitando a repetição dos atrasos e seus impactos sobre profissionais e usuários da rede pública.
Estiagem também entra na pauta
Além da saúde, Cidade afirmou que tratou com Lula sobre os impactos da estiagem no Amazonas.
Segundo o governador, o período de seca pode ser severo e atingir cerca de 300 mil famílias neste ano, principalmente no interior. A intenção, de acordo com ele, é obter recursos e apoio federal para preparar o Estado para os efeitos da estiagem.
“É assim que trabalhamos: com diálogo, entendimento e resultados. Porque, quando todos trabalham juntos, quem ganha é o povo do Amazonas”, afirmou.
Publicação ocorre após ausência em debate
A postagem também ocorre um dia após Cidade não participar do primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, promovido pela Band Amazonas.
A ausência foi comunicada pela campanha menos de uma hora antes do início do confronto. A coordenação alegou “orientação jurídica” para que o governador não participasse de debates ou sabatinas antes de 16 de agosto.
Em manifestação nas redes sociais, Cidade também afirmou que não queria participar de um confronto que, segundo ele, seria marcado por ataques dos adversários.
“Enquanto meus adversários me atacam, eu vou responder com trabalho”, declarou.
A decisão gerou críticas de internautas, que cobraram a participação do governador em debates para apresentar propostas e responder a questionamentos sobre a administração estadual.






