Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O avanço das redes sociais e o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial estão entre os desafios da fiscalização eleitoral nas eleições de 2026. No Amazonas, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) mantém equipes e recursos técnicos voltados ao monitoramento da propaganda eleitoral no ambiente digital.
Em entrevista exclusiva ao Portal Rios de Notícias, a Dra. Mônica Câmara, presidente do Comitê de Enfrentamento à Desinformação (CED) do TRE-AM, explicou que o uso de inteligência artificial não é proibido nas campanhas eleitorais, mas deve seguir as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
“A resolução é bem clara quanto ao uso. Podem haver situações em que sejam apresentados vídeos totalmente manipulados, contrários ao que a legislação estabelece, e esses conteúdos poderão ser objeto de representação. Mas também existem situações em que a inteligência artificial é permitida. Se for utilizada seguindo todas as normas, não haverá problema para o candidato”, explicou a magistrada.

Segundo Mônica, a fiscalização busca identificar o uso irregular de ferramentas de inteligência artificial na produção e divulgação de conteúdos que interfiram no processo eleitoral. Materiais manipulados ou divulgados em desacordo com as regras da Justiça Eleitoral podem ser alvo de medidas judiciais.
Fiscalização no ambiente digital
Além do monitoramento realizado pelas equipes do TRE-AM, a magistrada destacou que os próprios eleitores podem contribuir com a fiscalização ao comunicar possíveis irregularidades. As denúncias podem ser feitas por meio do aplicativo Pardal ou pelos canais disponibilizados pela Justiça Eleitoral.

“A denúncia pode chegar por meio do Pardal, que é um aplicativo bastante conhecido e utilizado em várias eleições. No site do TRE também há um link que direciona para o Cetic, onde é possível fazer a denúncia e anexar fotos ou vídeos. Todas essas informações chegam à equipe destacada para atuar na fiscalização da propaganda digital”, explicou Mônica.
Os registros podem incluir fotos e vídeos que auxiliem na análise dos casos. Após o recebimento, o material passa por uma triagem para verificar se há elementos que indiquem uma possível irregularidade e justifiquem o encaminhamento às autoridades responsáveis.
A orientação da Justiça Eleitoral é que candidatos e partidos estejam atentos às regras para o uso de inteligência artificial e outras tecnologias durante a campanha. Os eleitores também podem contribuir com a fiscalização, comunicando possíveis irregularidades pelos canais oficiais.





