Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), recepcionou o presidente Lula (PT), nesta terça-feira, 26/5, no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus.
O governador não seguiu com a comitiva para o evento do programa Minha Casa, Minha Vida no Parque das Tribos, que contou com a presença do prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), e de outros políticos, mas seguiu na agenda para a visita técnica às obras da rodovia BR-319.
O encontro marca o início da agenda oficial de dois dias do chefe do Executivo federal no estado. A aproximação institucional visa assegurar a liberação de investimentos federais para a região em pleno ano eleitoral.
Mesmo pertencendo a campos políticos diferentes, o governador do Amazonas destacou a necessidade de manter canais abertos com o Palácio do Planalto para evitar o isolamento do estado.
Em nota distribuída por sua assessoria, Cidade justificou o encontro afirmando que a responsabilidade com o cargo e com a população local deve se sobrepor às disputas partidárias.
“Eu fui eleito para defender o Amazonas. E, quando o assunto é o nosso Estado, não existe espaço para disputas políticas pequenas. Existe responsabilidade institucional. Como governador, tenho o dever de receber o presidente da República, dar as boas-vindas e tratar dos assuntos importantes para o nosso povo”, declarou Roberto Cidade.
Pragmatismo político e a pauta da BR-319
Do ponto de vista estratégico, a postura de Roberto Cidade busca equilibrar sua atuação. O governador adota o pragmatismo político ao sentar-se à mesa com o governo federal.
A presença na comitiva oficial também cumpre o papel de assegurar que o governo estadual participe diretamente das negociações de verbas federais.
“O Amazonas precisa de união, parceria e diálogo para avançar. O meu foco é trabalhar pelo nosso povo, independentemente de ideologia ou partido”, ressaltou o governador.
Com isso, a gestão local tenta impedir que o governo federal dialogue exclusivamente com parlamentares de oposição ao estado, como o pré-candidato ao governo Omar Aziz (PSD) e o senador Eduardo Braga (MDB).
Bilhões no Amazonas, mas nada para o Estado
Nenhum dos mais de R$ 7 bilhões anunciados pelo presidente será enviado para o caixa do Governo do Estado do Amazonas.Todo o montante será gerenciado e executado por estatais, ministérios e pelo setor privado. Na prática, isso significa que nenhuma fatia desse dinheiro ficará sob a gestão direta do governador Roberto Cidade.
A maior parte dos recursos está carimbada para setores controlados por Brasília ou empresas concessionárias. É o caso dos R$ 2,8 bilhões da Petrobras e da Transpetro para a construção de barcaças e novos poços em Urucu, que beneficiam estaleiros privados.
Da mesma forma, os R$ 3,28 bilhões destinados ao setor elétrico e ao programa Luz Para Todos serão executados diretamente pela concessionária Amazonas Energia, sob as regras do Ministério de Minas e Energia.
Mesmo com as obras de infraestrutura, como as pontes da rodovia BR-319 e o Terminal Manaus Moderna, o modelo de aplicação segue o mesmo: os contratos e as licitações são de responsabilidade do governo federal, via Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e Ministério de Portos e Aeroportos.
Para o governo estadual, o ganho com esse pacote bilionário será indireto, impulsionado pela geração de empregos na indústria naval e pelo aumento na arrecadação de impostos locais, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
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