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Home Cultura

Dia da Consciência Negra reforça legado de Zumbi e debate sobre racismo na sociedade

A data não é apenas um dia no calendário, é um convite ao país para refletir sobre o passado e encarar o racismo que ainda marca a vida de milhões de brasileiros

20 de novembro de 2025
em Cultura
Tempo de leitura: 6 min
conscnegra

Em 2023, a data foi elevada a feriado nacional pela lei 14.759 (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

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Caio Silva – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – O Brasil celebra, em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, uma data que ultrapassa a memória da morte de Zumbi dos Palmares e se consolida como um marco de resistência, identidade e reconhecimento da contribuição afro-brasileira para o país.

Líder do maior quilombo da história brasileira, Zumbi foi assassinado em 1695, após décadas enfrentando o sistema escravista. Mais de três séculos depois, sua luta segue como referência no combate às desigualdades raciais.

A data começou a ganhar força na década de 1970, impulsionada pelos movimentos negros. Em 1971, o poeta Oliveira Silveira, ao lado do Grupo Palmares, propôs oficialmente o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra, uma resposta à necessidade de resgatar o protagonismo negro na formação do Brasil.

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Desde então, a data se expandiu: foi incluída no calendário escolar pela Lei 10.639/2003, ganhou reconhecimento nacional em 2011 e, em 2023, tornou-se feriado nacional pela Lei 14.759.

Não é apenas um dia no calendário: é um convite ao país para refletir sobre o passado e encarar o racismo que ainda marca a vida de milhões de brasileiros.

Leia também: Feriado da Consciência Negra: veja como funcionam os espaços culturais em Manaus

Identidade, educação e reparação

Para o especialista em Igualdade Racial nas Escolas, Christian Rocha, o Dia da Consciência Negra também é uma oportunidade para reconstruir a identidade brasileira, reconhecendo o papel civilizatório africano que ainda é ignorado ou distorcido.

“A valorização da herança civilizatória africana depende de práticas pedagógicas reais. A Lei 10.639 precisa sair do papel para que a verdadeira história dos afrodescendentes seja ensinada”, defende.

Christian Rocha – especialista em Igualdade Racial nas Escolas e ativista (Foto: Christian Rocha/Arquivo Pessoal)

Christian afirma que o letramento racial é ferramenta essencial para compreender por que a população negra segue entre os índices mais altos de violência, pobreza e desemprego.

“Só entendendo como o racismo se estruturou chegamos perto de reparar suas marcas. O letramento racial é urgente, no Executivo, no Legislativo, no Judiciário e principalmente nas escolas”, afirma.

Um legado que molda o Brasil

O ativista lembra que a presença africana é a base de muitas práticas culturais do cotidiano brasileiro, da língua à culinária, da música às formas de organização social.

“É impossível olhar para o Brasil sem ver a influência africana. Ainda assim, vivemos como se essa herança pudesse ser invisibilizada. É uma dívida histórica que precisa ser reconhecida”, diz.

Para ele, a falta de reconhecimento fortalece estereótipos e impede que a população negra veja sua história representada de maneira digna.

“Sem letramento racial, o debate não avança. A sociedade precisa dessa compreensão, e os meios de comunicação são parte fundamental desse processo”, completa.

Arte como voz e resistência

O produtor cultural Marcelo Rufi, curador das exposições Amazônia Preta e Amazônia Preta em Movimento, reforça que o legado africano na Amazônia ainda é pouco conhecido e frequentemente invisibilizado. Para ele, iniciativas culturais realizadas durante o Mês da Consciência Negra têm papel fundamental no letramento racial.

“É um trabalho diário. Não basta celebrar em novembro. Racismo estrutural é um fato, e o letramento racial ajuda a corrigir distorções sobre a cultura afro e, principalmente, afro-amazônica”, destaca.

Marcelo Rufi (Foto: Arquivo Pessoal)

Rufi ressalta o poder da arte como instrumento pedagógico, emocional e político.

“As obras falam. Elas trazem vivências, questionamentos e mostram o que é ser um corpo preto na Amazônia atual. Muitas vezes, a arte comunica o que discursos não alcançam”, diz.

Ele afirma que ainda há resistência de alguns espaços em receber produções negras, mas celebra a ampliação dos ambientes culturais que abriram suas portas para suas exposições neste ano.

“Ocupar cinco espaços diferentes, cada um com uma proposta distinta, é uma vitória. A diversidade de trabalhos mostra que a arte preta amazônica é múltipla e potente”, afirma.

As exposições do Coletivo Arte Ocupa, do qual faz parte, também buscam romper barreiras.“Queremos quebrar o mito de que a arte é distante ou intocável. Nossos espaços são feitos para acolher todos os públicos”, conclui.

Tags: Consciência NegradIAHomenagemnegraresistência

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