Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante a cerimônia de posse da deputada estadual Professora Jacqueline (União Brasil), que assumiu vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta terça-feira,14/10, a também deputada Alessandra Campêlo (Podemos) fez um comentário que repercutiu nos bastidores da política manauara.
Em seu discurso, ela afirmou que, apesar da saída de Jacqueline, que era vereadora em Manaus, a Câmara Municipal logo voltará a ter mais uma mulher, em referência à possível cassação do mandato do vereador Elan Alencar (DC) por fraude a cota de gênero.
“Embora a Câmara, nesse momento, perca uma mulher, uma representante mulher, que já diminuiu, mas que vai aumentar de novo, porque logo logo a gente vai ver a vereadora Glória Carratte de volta ao mandato”, declarou Campêlo, antecipando o desfecho do processo que envolve o parlamentar.
Caso a decisão judicial seja confirmada, a expectativa é que Glória Carratte (PSB), primeira suplente da coligação, assuma o mandato na Câmara Municipal de Manaus.
A deputada reforçou a importância do cumprimento da legislação eleitoral e do respeito às cotas de gênero.
“Não tenho nada contra o vereador que vai sair, mas a cota de mulheres tem que ser respeitada, a legislação tem que ser respeitada, as mulheres têm que ser respeitadas, porque essa cota que a gente conseguiu de participação foi conquistada com muita luta”, afirmou.
Alessandra destacou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres dentro dos partidos políticos. “Quem é mulher aqui, a Jaqueline sabe a dificuldade que a gente tem, mesmo nos partidos que são dirigidos por pessoas próximas. Na hora da briga, os homens ficam de um lado e a gente do outro, pelo fundo partidário, pelo tempo de televisão, por espaço para falar, pela militância, pelos apoios políticos. A gente acaba tendo que brigar muito para conseguir o nosso espaço”, disse.
Pronunciamento de Elan Alencar
Em vídeo publicado nas redes sociais, o vereador Elan Alencar se manifestou sobre a decisão judicial que manteve a cassação de seu mandato por fraude à cota de gênero. Ele afirmou respeitar a Justiça, mas negou qualquer envolvimento em irregularidades.
“O juiz do pleito eleitoral, Dr. Rafael, no seu entendimento, decidiu pela nossa cassação. E aí também decidiu pelo meu direito de ampla defesa, e estamos recorrendo dessas decisões”, disse o parlamentar.
Elan argumentou que agiu dentro da legalidade e atribuiu o problema a uma falha partidária.
“Eu não cometi nenhuma fraude, nenhum erro. Fui candidato, registrei a candidatura com todas as minhas certidões negativas, prestei contas da campanha eleitoral, fui o mais votado do nosso partido, com 8.611 votos. Depois disso, fui surpreendido com um possível erro do partido, que sequer eu tinha conhecimento”, afirmou.
Relembre o caso
O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) manteve a cassação do mandato do vereador Elan Alencar (DC) após rejeitar um recurso relacionado à candidatura de Joana Cristina da França da Costa, apontada pelo Ministério Público Eleitoral como “laranja”.
A decisão, proferida pelo juiz Rafael Rodrigo da Silva Raposo, da 62ª Zona Eleitoral de Manaus, no sábado, 11/10, confirmou a cassação da chapa do DC e a inelegibilidade de Joana Cristina.
A candidata foi acusada de participar de uma fraude à cota de gênero, prática em que partidos registram candidaturas femininas fictícias apenas para cumprir a exigência legal de 30% de participação de mulheres nas eleições proporcionais.






