Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O deputado federal Amom Mandel (Republicanos) formalizou denúncias na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e no Ministério Público do Estado (MPAM) apontando lentidão no Sistema Nacional de Regulação (SISREG) e falhas técnicas na plataforma de telemedicina Saúde AM Digital.
Nos documentos, o parlamentar detalha tempos de espera superiores a um ano e cobra investigações sobre um contrato emergencial de R$ 196 milhões firmado pela gestão estadual.
Espera longa e falhas no aplicativo
Entre os casos denunciados, uma paciente com lúpus que necessita de acompanhamento semestral informou que exames essenciais não são autorizados em tempo hábil, acumulando pendências por período superior a um ano.

Os ofícios enviados aos órgãos de controle reúnem queixas de usuários sobre o cancelamento de consultas sem aviso prévio e a impossibilidade de concluir atendimentos virtuais.
Pacientes relatam que, ao acessar o aplicativo Saúde AM Digital no horário agendado, a fila virtual é encerrada automaticamente sem a realização da consulta. Um dos depoimentos anexados demonstra a insatisfação com a plataforma.
“O SISREG manda a gente para essa APP LIXO, Saúde AM Digital, onde os atendimentos não acontecem e o paciente que já não tá bem fica ainda pior com todo o estresse e ansiedade que passa”, diz relato.
Especialidades com maior demanda reprimida
A representação aponta que as áreas de Oftalmologia, Urologia, Psiquiatria e Neuropediatria concentram as maiores dificuldades de acesso, com registros de pacientes aguardando consultas oftalmológicas há mais de 12 meses.


O documento também cita que pessoas em sofrimento psíquico que buscam os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são direcionadas para o fluxo digital, onde falhas de conexão impedem a assistência.

O impacto clínico do atraso foi sublinhado na argumentação do deputado. “A permanência prolongada de solicitações pendentes, especialmente quando ultrapassa o período indicado para acompanhamento médico, pode comprometer a continuidade da assistência e a própria utilidade clínica do procedimento requerido”, declarou.
Contrato de R$ 196 milhões sob investigação
Outro ponto central questiona os valores investidos na modernização do sistema. O Ministério Público acompanha desde agosto de 2025 a execução de um contrato emergencial, sem licitação, no valor de R$ 196 milhões entre a SES-AM e a Empresa de Tecnologia da Informação do Estado do Piauí (ETIPI) para o desenvolvimento da plataforma digital.
A fiscalização enfatiza a necessidade de justificar o montante diante das falhas operacionais descritas pelos usuários.
Medidas solicitadas às autoridades
O parlamentar cobra transparência na fila de regulação, com o envio de dados atualizados sobre o quantitativo de pacientes que esperam por consultas e exames em prazos de 30 a 365 dias, detalhados por especialidade.
O pedido inclui uma auditoria técnica nos registros do sistema para comprovar a presença dos médicos nas teleconsultas e identificar as causas do encerramento automático das sessões. Por fim, o deputado exige um plano de ação imediato com metas para reduzir a demanda reprimida no estado.
O que diz a SES-AM?
O portal Rios de Notícias entrou em contato com a SES-AM para obter o posicionamento oficial do órgão a respeito das falhas apontadas e do andamento do contrato de R$ 196 milhões.
Até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta foi enviada. O espaço segue aberto para a manifestação da secretaria.






