Redação Rios
MANAUS (AM) – A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) cobrou, nesta quinta-feira, 1º/10, informações sobre o fluxo de atendimento dos principais prontos-socorros de Manaus. A reunião ocorreu na sede da instituição, no bairro Aleixo, e faz parte das apurações de um Processo Coletivo que investiga a retenção de macas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Entre janeiro e setembro deste ano, a retenção de macas resultou em 2.124 atendimentos do Samu que deixaram de ser realizados, segundo dados apresentados durante a apuração.
Participaram da reunião representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), dos prontos-socorros e hospitais Platão Araújo, João Lúcio e 28 de Agosto, além da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales.
Como encaminhamento, as unidades terão prazo de até dez dias para apresentar dados referentes ao período de janeiro a setembro. Entre as informações solicitadas estão o perfil dos pacientes atendidos, a gravidade dos casos, as doenças que mais resultam em internações e a taxa de conversão dos atendimentos em internações.
A Defensoria pretende utilizar os dados para verificar se o perfil dos pacientes atendidos nos prontos-socorros é compatível com a complexidade dos serviços oferecidos por essas unidades.
Pacientes oncológicos
O coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde, defensor público Arlindo Gonçalves, também estabeleceu prazo de 24 horas para que as unidades informem a quantidade e os dados de pacientes oncológicos que aguardam transferência para receber atendimento especializado.
“São pacientes que precisam de tratamento urgente e não podem estar em unidades que não oferecem o atendimento especializado, que é de responsabilidade da Fundação Centro de Oncologia”, afirmou.
Segundo o defensor, o levantamento busca confrontar as justificativas apresentadas pelos gestores dos prontos-socorros para explicar a alta demanda nas unidades.
Os gestores afirmam que parte dos pacientes atendidos poderia ser direcionada para unidades de menor complexidade, como as UPAs e os Serviços de Pronto Atendimento (SPAs). A Defensoria, porém, também avalia a capacidade dessas unidades de absorver essa demanda.
“As unidades atendem de acordo com a gravidade de cada caso, e os prontos-socorros são destinados às situações mais graves. Os gestores dizem que parte dos pacientes poderia ser encaminhada para as UPAs, mas essas unidades também não têm estrutura suficiente para absorver nem os casos mais simples”, explicou Gonçalves.
Acidentes estão entre principais demandas
Entre os exemplos apresentados durante a reunião estão os atendimentos de vítimas de acidentes. Segundo a Defensoria, há casos de traumas graves, que exigem procedimentos cirúrgicos, mas também ocorrências de menor complexidade que poderiam ser resolvidas em outras unidades.
“Uma das principais demandas é de pacientes vítimas de acidentes. Há casos de traumas graves, que precisam de cirurgia, mas também há situações mais simples, que poderiam ser resolvidas com um exame de imagem. O problema é que as UPAs muitas vezes não têm ortopedista nem aparelho de raio-X”, afirmou o defensor.
Informações preliminares apresentadas pelas unidades indicam ainda que a retenção de macas é maior durante a noite e aos fins de semana. Nesses períodos, UPAs e SPAs que não funcionam ou têm atendimento reduzido deixam de ser uma alternativa para parte dos pacientes.
Ocupação prolongada de leitos
A ocupação prolongada de leitos também foi discutida durante a reunião. De acordo com os gestores, as unidades possuem leitos suficientes para atender à demanda, mas parte deles permanece ocupada por períodos extensos.
Um dos casos relatados envolve um paciente que permanece em um leito há aproximadamente um ano, mesmo após receber alta médica. Segundo a unidade, a permanência ocorre porque a família não possui condições de cuidar do paciente em casa.
A situação é classificada como “alta social”, quando o paciente já não necessita de internação hospitalar, mas não pode deixar a unidade por questões sociais ou familiares.
Defensoria quer identificar perfil dos pacientes
Com o levantamento, a Defensoria pretende verificar se a demanda recebida pelos prontos-socorros corresponde efetivamente ao nível de complexidade para o qual essas unidades foram estruturadas.
“Como eles trouxeram aquelas justificativas, falando do perfil do paciente, então eles precisam apresentar os dados mostrando quem são os pacientes que chegam e quantos deles de fato precisaram de internação, indicando que são pacientes que não deveriam ser encaminhados para lá”, afirmou Arlindo Gonçalves.
As informações deverão subsidiar as próximas etapas do Processo Coletivo que acompanha a retenção de macas do Samu e os impactos do problema sobre o atendimento de urgência e emergência em Manaus.
*Com informações da Agência Brasil






