Redação Rios
MANAUS (AM) – O senador Omar Aziz (PSD), candidato ao governo do Amazonas em 2026, tem uma trajetória política de mais de três décadas marcada por controvérsias, investigações envolvendo familiares e questionamentos sobre obras públicas e recursos. Episódios antigos voltaram ao debate durante a atual disputa eleitoral.
O caso voltou a ganhar destaque na campanha eleitoral após uma decisão da Justiça Eleitoral que proibiu a candidata Professora Maria do Carmo (PL) de veicular propaganda associando Omar Aziz (PSD) a episódios como a CPI da Pedofilia, a Operação Maus Caminhos e a obra da Cidade Universitária da UEA.
Aziz nega envolvimento em irregularidades e afirma que não foi formalmente denunciado nem condenado criminalmente pelos casos citados. Sua defesa é resumida na declaração: “Não há uma denúncia contra o Omar Aziz, procure. Existem narrativas”.
CPI da Pedofilia
Em 2004, quando era vice-governador do Amazonas, Omar Aziz teve o nome incluído no relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, conhecida como CPI da Pedofilia.
O documento, elaborado pela relatora Maria do Rosário (PT-RS), sugeria o indiciamento do político por suposto envolvimento com uma rede de prostituição de adolescentes em Manaus.
O nome de Aziz foi retirado do relatório final em 13 de julho daquele ano, por oito votos a sete, após voto de desempate do então senador Ney Suassuna. O destaque para excluir o nome foi apresentado pelo então senador Arthur Virgílio Neto.

Em 2021, durante a CPI da Covid, Arthur Virgílio voltou a falar publicamente sobre o episódio. Em publicação nas redes sociais, afirmou:
“Omar Aziz é uma das pessoas mais perversas que já conheci. Ele nunca mostra a cara, porque se alimenta de um cardápio bizarro, realmente cruel: a intriga. A pedido de sua mãe, respeitável e querida senhora, aceitei, acreditando somente nela, envolver-me na luta da CPI da Pedofilia. Minha não interferência seria sua morte política, uma dura condenação penal e a desmoralização completa”, afirmou o ex-prefeito de Manaus.
Em outro trecho, completou: “Na dúvida, e acreditando em sua genitora, que merecia todo o meu acatamento, livrei-o do inferno”.
Segundo Arthur Virgílio, a intervenção ocorreu após um pedido de Delphina Aziz, mãe do senador. À época, Omar negou as acusações e se declarou “aliviado, mas triste”, afirmando que estava no hospital com a filha no dia da suposta ocorrência.
Operação Maus Caminhos
Deflagrada pela Polícia Federal em 2016, a Operação Maus Caminhos investigou um esquema de desvio de recursos públicos destinados à saúde do Amazonas. Em 2019, durante a fase denominada Operação Vértex, a então esposa de Omar Aziz, Nejmi Aziz, e três irmãos do senador, Murad, Amin e Mansour, foram presos temporariamente.

Relatórios da investigação apontaram suspeitas de vantagens indevidas destinadas a familiares, incluindo pagamentos descritos como “mesada”.
Omar Aziz também foi citado no contexto das apurações. O senador, porém, nega participação no esquema e afirma que não foi denunciado.
“Nunca fui denunciado. Oito anos depois, o inquérito foi encerrado porque não havia absolutamente nada contra mim. Sofri muito”, declarou.
Em outra ocasião, afirmou: “Não sou réu em nada. Nunca fui denunciado em absolutamente nada”.
Durante a campanha de 2026, decisões do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) concederam direito de resposta a Aziz em casos envolvendo publicações que o associavam a irregularidades. Segundo a defesa do senador, não há denúncia criminal contra ele relacionada à operação.
Cidade Universitária de Iranduba

Lançado em 2012, durante o governo de Omar Aziz, o projeto da Cidade Universitária da UEA, em Iranduba, tinha orçamento inicial de R$ 300 milhões. A obra recebeu investimentos estimados entre R$ 100 milhões e R$ 147 milhões, mas foi paralisada por volta de 2017, após embargos ambientais e judiciais.
Em 2018, o custo estimado para a conclusão chegou a R$ 700 milhões. O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) também apontou irregularidades e cobrou a devolução de cerca de R$ 1,7 milhão.
Atualmente, a estrutura permanece sem conclusão. Aziz afirma que deixou recursos em caixa e atribui o abandono do projeto às gestões posteriores.
Outros casos
Durante o governo de Omar Aziz, entre 2010 e 2014, a construção da Arena da Amazônia foi questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou cerca de R$ 86,5 milhões em sobrepreço. O estádio, orçado inicialmente em R$ 500 milhões, teve custo contratual de aproximadamente R$ 669,5 milhões.
Em 2015, o Ministério Público de Contas também identificou irregularidades em 16 contratos da Secretaria de Estado de Infraestrutura, firmados em 2013, que somavam R$ 73,8 milhões.
Emendas destinadas por Aziz a Coari, incluindo cerca de R$ 19 milhões em emendas Pix, são alvo de apurações sobre a aplicação dos recursos. Outro repasse, para um trecho da rodovia AM-366, em Tapauá, foi questionado por questões ambientais e possível interferência em área indígena homologada.
Durante a campanha, Aziz foi multado em R$ 10 mil pela Justiça Eleitoral por irregularidade relacionada ao canal “Figurinhas OA”, no WhatsApp, cujo endereço não havia sido informado previamente à Justiça.

Em outro episódio, o senador xingou um assessor da candidata Professora Maria do Carmo (PL) durante debate na TV Norte.
A defesa de Omar Aziz
O senador mantém a posição de que as acusações não resultaram em denúncias criminais contra ele nos casos mencionados. Durante a campanha, ao responder a críticas sobre sua trajetória, declarou:
“Eu nunca fui denunciado. Não tem nenhum processo contra mim, em relação à corrupção, em relação à pedofilia, em relação aos maus caminhos, em relação à cidade universitária”, afirmou Aziz.






