Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Privada (Sindpriv-AM) vai realizar uma manifestação, nesta sexta-feira, 12/6, às 8h, cobrando do Governo do Amazonas os meses de salários atrasados. O ato deve ocorrer em frente ao Hospital Doutor João Lúcio Pereira Machado, na avenida Cosme Ferreira, bairro Coroado, zona Leste de Manaus.
O SINDPRIVAM afirma que a manifestação tem como objetivo cobrar o pagamento dos salários atrasados em diversas unidades hospitalares, além de reivindicar melhores condições de trabalho e a valorização profissional da categoria.
“Um convite para os nossos trabalhadores que prestam serviço no João Lúcio, Joãozinho, para vir para uma grande manifestação que vai acontecer na frente do João Lúcio, porque é inadmissível ficar sem receber. Isso não é justo, então eu convido todos vocês a virem comigo para essa grande manifestação, porque todo trabalhador é digno do seu trabalho”, disse a presidente do Sindpriv-AM, enfermeira Graciete Mouzinho.
A enfermeira ainda relata que os trabalhadores contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) receberam seus pagamentos. No entanto, segundo ela, os profissionais de saúde terceirizados seguem enfrentando atrasos salariais.
O sindicato chega a citar a mudança no comando da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), ocorrida em maio, quando a secretária Nayara Maksoud deixou o cargo após mais de dois anos à frente da pasta e foi substituída pelo médico cirurgião cardiovascular Luís Alberto Saraiva Santos.
“Eu sei que a secretária é nova, assumiu agora, mas não dá para esperar fazer levantamento enquanto os filhos desses trabalhadores passam fome” afirmam eles.
Atrasos nos salários
Na última terça-feira, 2/6, o governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), afirmou que já pagou mais de R$ 100 milhões a médicos desde o início de sua gestão. No entanto, a categoria contesta a declaração, afirmando que os atrasos continuam se acumulando e ultrapassam oito meses de salários pendentes.
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa no lançamento da Operação Mulher Segura. Na ocasião, o governador afirmou que mais de R$ 100 milhões já foram pagos aos médicos e que a regularização dos repasses depende da análise da situação financeira do Estado, já que a arrecadação sofre impacto das oscilações do dólar.
“Eu quero pagar todo mundo, mas a gente tem que ver também a realidade financeira do Estado. Quando o dólar está mais alto, mais se arrecada no nosso Estado, mas quando o dólar está baixo, menos se arrecada. Neste período, eu já paguei mais de 100 milhões de reais para médicos, paguei também as OS”, disse ele.
No entanto, após a declaração, médicos questionaram a fala do governador nas redes sociais. Segundo os profissionais, os atrasos salariais ultrapassam oito meses e são referentes a períodos de gestões anteriores, do ex-governador Wilson Lima, aliado político de Cidade.
“Oito meses sem receber. Quem trabalhou não pode ser tratado como credor descartável. O serviço foi prestado, os plantões foram cumpridos, vidas foram atendidas e a população não ficou sem assistência porque esses profissionais continuaram trabalhando mesmo sem receber”, diz um dos médicos.
Outro cita: “Roberto Cidade é cúmplice do Wilson, passou a gestão dele toda como Deputado Estadual e não fiscalizou os gastos públicos”, além de afirmar que há “8 meses de atraso nos pagamentos dos médicos. Não pagar é muito descaso, os médicos não têm como continuar prestando serviço sem receber”.






