Keynes Breves – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – O Boi Bumbá Caprichoso encerrou a primeira noite do 56º Festival Folclórico de Parintins, levando à arena a própria ancestralidade como semente de lutas, encerrando em 2h25m48s o seu espetáculo.
A apresentação teve início com o boi feito pelo povo, vindo dos ares por um guindaste, trazendo o Apresentador Edmundo Oran e o Levantador de Toadas Patrick Araújo. Explorando as origens do boi negro, Oran exaltou o feito de artistas formados na Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale e nos tradicionais redutos azuis como Palmares, Francesa, Aninga, rua Cordovil e o “Esconde”. A toada “Pode Avisar!”, interpretada por Araújo fez a galera sacudir a arquibancada.

Primeiro momento-chave do espetáculo, “Ypuré, a senhora da ganância”, do artista Roberto Reis, impactou pelo gigantismo e riqueza de detalhes. A lenda amazônica, do povo Maraguá, conta como uma senhora bestial atormenta aqueles que destroem a mata em nome da cobiça. Com o guindaste novamente em cena, a Cunhã Poranga Marciele Albuquerque é erguida e trazida para sua evolução.
Dinâmica, a mesma alegoria revelou Valentina Cid. A Sinhazinha da Fazenda fez o próprio vestido mudar de tons verdes para o vívido azul Caprichoso, pelas mãos do corpo cênico que a cortejara.
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“Suraras do Beiradão” foi o momento-chave seguinte no espetáculo e retratou os saberes e lutas das mulheres indígenas do Tapajós. A figura típica regional revelou a Porta-Estandarte Marcela Marialva para sua evolução.
Destaque da noite azulada, as coreografias performadas no item 13 – Povos Indígenas – mostraram equilíbrio entre a tradição e a inovação. Em “Brasil, Terra Indígena”, o Pajé Erick Beltrão liderou o grande dabacuri. Ousada, a coreografia de “Yreruá, a festa do guerreiro” brilhou com sincronia e acrobacias impactantes.








Uma grande maloca, vinda dos ares, promoveu um momento inédito no Festival. Pela primeira vez, mulheres indígenas ostentaram tuxauas na arena. A chegada do item 14 foi abrilhantada pelo brado de Alessandra Munduruku, ganhadora do prêmio Nobel do ambientalismo em 2023. “Lute pela água da Amazônia. Salve a Amazônia. Não ao marco temporal. E a Amazônia em pé”, disse a liderança indígena.
Tapiraiauara, ser guardião das águas, trouxe Cleise Simas para a arena do Bumbódromo. A Rainha do Folclore evoluiu e foi aclamada pela eufórica galera.
Ápice do espetáculo, o ritual “Yreruá, a festa do guerreiro” contou que o povo Parintintin acredita que a cura do corpo vem pela transcendência da alma pela inalação do paricá sagrado. Assinada pelo artista Algles Ferreira, a alegoria ocupou toda a arena com imponência para revelar Erick Beltrão. O Pajé evoluiu já sob forte chuva que atingiu Parintins.






