Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Prints divulgados na noite desta sexta-feira, 28/11, revelam o desespero da médica Juliana Brasil Santos durante o atendimento que resultou na morte do menino Benício Xavier de Freitas, de seis anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus.
As mensagens foram enviadas ao diretor de plantão, Dr. Enryko Queiroz, entre a noite de sábado, 23, e a madrugada de domingo, 24. Na conversa, Juliana faz alerta e pede ajuda a todo momento ao responsável do plantão.
“Urgente. Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo EV. Paciente tá passando mal. Ficou todo amarelo”. Em seguida, ela admite a falha e implora por orientação: “Pelo amor de Deus, eu errei a prescrição. O que eu administro? Paciente desmaiou”.
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O diretor responde com orientações imediatas: “Monitora com eletrodo, oxigênio. Expansão 20 ml/kg”. Mesmo com os procedimentos, a médica relata a piora do paciente: “Me ajuda. Paciente rebaixou”. Ela envia ainda um vídeo do menino na maca.



A situação de Benício se agrava rapidamente. Em desespero, Juliana escreve: “Ele não tá respirando. Me ajuuuuuuda, Dr.”. Enryko pergunta se o Dr. Luiz havia chegado, e ela confirma, dizendo que o colega assumiria o caso.
Após alguns minutos, Juliana relata leve melhora: “Tá melhorando… Tá melhor que antes”. Mesmo assim, questiona como solicitar uma vaga de UTI: “Qual código pra pedir leito?”. O diretor informa que a orientação está no consultório.
Investigação
A Polícia Civil investiga o caso como homicídio com dolo eventual — quando a pessoa tem consciência de que sua conduta pode gerar um efeito criminoso, como matar alguém. O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirma que há divergências nos depoimentos da médica e da técnica de enfermagem. Segundo ele, uma acareação deve ser realizada para esclarecer contradições sobre a administração da adrenalina.
O delegado aponta falhas graves nos protocolos de segurança do hospital: “Percebemos que vários protocolos não foram observados ou não estavam implementados. Isso pode gerar responsabilidade não apenas da médica e da técnica, mas de outras pessoas que deveriam corrigir a falha da prescrição”, disse.
Ele também destaca que a técnica de enfermagem afirmou desconhecer o protocolo dos “12 certos da medicação”, que exige checagem rigorosa de dose, via, paciente e medicamento. Todos os profissionais que manipularam a medicação serão ouvidos.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) se manifestou favorável à suspensão do exercício profissional da médica e da técnica de enfermagem. O promotor Fabrício Santos recomenda medidas cautelares como proibição de deixar Manaus, comparecimento periódico em juízo e afastamento imediato das funções.
O MP destaca que há “justo receio” de que as profissionais possam repetir condutas que configuram risco. O parecer foi encaminhado ao juiz Fábio César Olintho, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que decidirá sobre as medidas.
O que diz a família
Familiares relatam que Benício deu entrada no hospital com tosse seca e suspeita de laringite, no sábado, 22. A médica que o atendeu teria prescrito lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina por via intravenosa. Os pais afirmam que questionaram a equipe sobre o uso do medicamento. Logo após a primeira dose, o menino piorou repentinamente.
Diante do agravamento, Benício foi levado para a sala vermelha, onde sua oxigenação despencou. Outro médico foi acionado. Um leito de UTI foi solicitado e a criança foi transferida ainda no sábado, 22.
Mesmo assim, o quadro continuou instável. Às 23h, a equipe decidiu pela intubação. Durante o procedimento, Benício vomitou, houve sangramento e as primeiras paradas cardíacas ocorreram. Apesar das tentativas de reanimação, ele morreu às 2h55 da madrugada de domingo, 23.






