Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma mulher que se apresentava como ‘pastora’ foi presa nesta segunda-feira, 2/2, durante uma operação das polícias civis do Amazonas e do Pará. Ela é investigada pelo crime de extorsão contra duas idosas em Belém. A prisão ocorreu no bairro Nova Cidade, zona Norte de Manaus.
A ação foi deflagrada pela Delegacia Especializada em Crimes contra a Pessoa Idosa (DECCI) e investiga a suspeita por extorsão contra duas mulheres de 79 e 87 anos. Segundo a polícia, a investigada chegou a subtrair mais de R$ 57 mil das vítimas.
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Uso da posição religiosa
De acordo com a delegada Mayara Magna, a suspeita utilizava sua posição de liderança religiosa para pressionar as idosas. O discurso da mulher causava medo e abalo emocional às vítimas. “Ela se aproveitava da condição de pastora para iludir e ludibriar as vítimas, dizendo que elas poderiam ir para o inferno caso não depositassem os valores”, afirmou.
As vítimas
As idosas, naturais do Pará, pertencem a comunidades evangélicas e teriam sido convencidas a fazer depósitos frequentes. “As duas chegaram a comprometer seus recursos financeiros e passaram a enfrentar dificuldades econômicas”, explicou a delegada.
Segundo a polícia, as investigações começaram no fim de 2024, após familiares perceberem movimentações financeiras suspeitas. “Elas se sentiam constrangidas e amedrontadas pela influência religiosa que a suspeita exercia”, disse Mayara Magna.
Extorsão e intimidação
Ainda de acordo com a delegada, a pressão psicológica era determinante para que as vítimas realizassem os repasses. “Elas tinham medo de queimar no inferno ou não entrar no reino dos céus. Existia intimidação e medo”, declarou.
Em depoimento, a suspeita admitiu receber os valores, mas alegou que as vítimas os enviavam de forma espontânea — versão contestada pelas provas reunidas pela polícia. Estima-se que o prejuízo total possa chegar a R$ 60 mil.
Além disso, os investigadores não descartam o surgimento de novas vítimas e identificaram tentativas da suspeita de ocultar provas. “Após os familiares descobrirem as transferências, a suspeita teria orientado uma das idosas a apagar as conversas mantidas entre elas”, relatou a delegada.
Justiça
A mulher deve responder por extorsão qualificada e permanece à disposição da Justiça após audiência de custódia. As polícias do Amazonas e do Pará reforçaram a importância de denúncias em casos semelhantes.






