Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Manaus completa 357 anos neste sábado, 24/10, com uma novidade para quem deseja conhecer de perto a história da capital amazonense. No subsolo do Centro Cultural Casarão de Ideias, no Centro, a Galeria dos Ingleses, estrutura do período da Belle Époque, foi aberta à visitação pública pela primeira vez.
A visitação é gratuita e ocorre das 16h às 20h. A abertura da galeria subterrânea atraiu milhares de visitantes interessados em conhecer a estrutura subterrânea, que permaneceu fora do acesso público e guarda vestígios de uma época em que a cidade passava por transformações urbanas.

Com 40 metros de comprimento, dois metros de altura e dois metros de largura, a galeria é formada por tijolos cerâmicos maciços vermelhos, unidos por uma argamassa à base de cal e areia lavada. O espaço foi descoberto durante as obras de restauração do prédio onde funcionou a Escola Estadual Saldanha Marinho.
Diretor do Casarão de Ideias, João Fernandes explicou ao PORTAL RIOS DE NOTÍCIAS que a equipe recebia relatos sobre a existência de uma galeria ou porão no local, mas ainda não havia explorado a estrutura de forma aprofundada. O trabalho começou há cerca de dois meses, quando foi possível entender melhor o espaço e planejar a abertura ao público.
“Então, essa galeria a gente recebia no nosso inbox, tem uma galeria, tem um porão, só que a gente não tinha mexido. Na época da obra, a gente viu, mas deixou aí e agora a gente começou a mexer há uns dois meses e entendeu como funcionava, o que dava para fazer”, relatou.

Segundo o diretor, a abertura foi planejada para marcar o aniversário da capital amazonense. A iniciativa também busca aproximar a população do patrimônio histórico e ampliar o conhecimento sobre a formação da cidade.
“Para a gente é muito importante falar da história, da memória, para as pessoas entenderem o patrimônio. Isso para a gente é sempre o ponto principal, as pessoas terem orgulho de estar aqui conosco, de ser amazonense”, afirmou João Fernandes.
Mapa revela os antigos igarapés
Além da estrutura arquitetônica, a visita permite observar as transformações da paisagem urbana de Manaus. As galerias foram projetadas para ajudar a represar e drenar a água dos igarapés aterrados na região central, em uma época em que a infraestrutura era planejada para atender uma população de aproximadamente 60 mil habitantes.
A bancária aposentada Mônica Lopes nasceu e cresceu em Manaus, mas atualmente não mora mais na capital. Ao visitar a galeria, ela destacou à reportagem a oportunidade de conhecer uma parte da história da cidade e observar um mapa que mostra o percurso dos antigos igarapés.

“Eu nasci, me criei aqui, não moro mais aqui, mas você conhecer um pouquinho da história de Manaus, da época dos ingleses, isso é muito legal”, disse.
O mapa mencionado foi um dos elementos que mais chamaram a atenção da visitante. Para ela, o material ajuda a compreender como a urbanização modificou os cursos d’água e a própria organização das ruas da capital.
“É bem interessante pra gente ver por onde passavam os igarapés e o quanto a cidade canalizou toda essa área. As nossas ruas são os igarapés, e isso é bem interessante, dá pra ver direitinho ali no mapa”, observou Mônica.
Curiosidade e interesse pela história
A novidade também despertou a curiosidade de quem aguardava para entrar no espaço. O influenciador digital Ed Black destacou a movimentação de visitantes e a oportunidade de conhecer um patrimônio histórico no período das comemorações pelos 357 anos de Manaus.

“A expectativa é muito boa, né? Tanto que vocês estão vendo essa fila enorme aqui. Justamente para a gente conhecer um pouco da história de Manaus. Aliás, são 357 anos de Manaus. Então, a gente precisa conhecer um pouco, pelo menos um pouquinho da história”, afirmou.
Para ele, a visitação significa uma oportunidade de conhecer um espaço subterrâneo que faz parte da história da capital, mas que ainda era desconhecido por muitas pessoas.






